Transplante de coração: “Duas jovens à espera de ver quem morre primeiro”

20/05/2019 01:01 - Modificado em 20/05/2019 01:01

Uma história comovente, contada na primeira pessoa.

Um paciente que receba um transplante de coração sabe que alguém teve que morrer para ele viver. Alguns querem conhecer a história por trás do órgão doado. Outros preferem não saber quem perdeu a batalha. A luta dos doentes pela sobrevivência não é fácil. E, mesmo depois da cirurgia que lhes devolve a vida, as dúvidas e incertezas continuam a existir.

É essa a história de Alin Gragossian, uma médica especializada em cuidados intensivos de 31 anos, que recebeu um transplante de coração em janeiro de 2019.

A jovem natural de Filadélfia, nos EUA, decidiu contar o caso no seu blog A Change of Heart, depois de receber uma carta da família da mulher cujo coração salvou-lhe a vida.

“Recebi um telefonema do hospital com a indicação de que a família da minha doadora tinha enviado uma carta para mim. A enfermeira com quem falei ofereceu-se imediatamente para digitalizar a carta e enviar por e-mail a mesma, mas eu não quis. Não estava pronta para ler”, conta Alin.

Só que, alguns dias depois, a carta chegou. Alin conta que caiu num pranto ao ler as linhas que descreviam a jovem cheia de vida cuja morte salvou a sua vida.

“É claro que sempre soube que a minha doadora era um ser humano e que tinha morrido, mas ler sobre ela tornou tudo mais real”, confessou, acrescentando que “ficava arrepiada a cada linha” por terem muito em comum.

“Éramos apenas duas mulheres jovens, em diferentes unidades de terapia intensiva, à espera de ver quem morria primeiro”, descreveu Alin no post publicado no dia 3 de maio, apenas alguns meses após o transplante.

Na mesma partilha, a norte-americana agradeceu “do fundo do coração” à jovem que morreu e à sua família e prometeu fazer “bom uso” do seu novo órgão.

Como é médica numa Unidade de Cuidados Intensivos, Alin já tinha lidado diversas vezes com casos semelhantes ao seu. Contudo, a jovem admite que nessa altura, quando ligava para a unidade de transplantes depois de um paciente morrer, não pensava no assunto como agora, depois de receber a carta em questão.

“Agora eu entendo realmente o poder que um telefonema desses pode ter”, assume.

Nos EUA as informações sobre um doador só são dadas ao paciente que recebeu o órgão se a família doador solicitar ou concordar entrar em contato. Neste caso, apesar de terem enviado uma carta a Alin, a família decidiu manter o anonimato. Por essa razão, a jovem médica decidiu fazer uma homenagem à sua doadora no blog.

“Tinha muitas coisas em comum contigo. Muito além do nosso sangue. Provavelmente teríamos sido boas amigas, mas em vez disso, os nossos caminhos cruzaram-se da maneira mais estranha. No último dia da tua vida, no primeiro da minha nova vida. No pior dia da tua vida, no melhor dia da minha vida”, escreveu.

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