Rui Semedo diz que o programa do Governo é hoje um instrumento esquecido

15/05/2019 13:55 - Modificado em 15/05/2019 13:55
Rui Semedo – Líder da bancada parlamentar do PAICV

De acordo com o líder do Grupo Parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, PAICV, na sua intervenção no início do debate com o Vice-Primeiro Ministro e Ministro das Finanças, Olavo Correia “é debater com o cara e a cara das promessas que deram forma às propostas eleitorais do partido no poder”.

Acrescentando que o Programa do Governo é hoje um instrumento esquecido que atualmente ninguém fala, “de tão irrealista, tão enganador e tão inadequado à capacidade de resposta do Executivo”.

Para Rui Semedo, o crescimento que se jurou passar a ser de 7%, por ano, é apenas uma miragem porque, no seu entender, para ser atingido, nesta proporção, teria que haver um crescimento elevadíssimo nos próximos anos. “O que não está projetado nem pelo Governo, nem pelo Banco Central e muito menos pelo FMI ou pelo Banco Mundial”.

Em relação às metas da criação de emprego, o líder do PAICV diz, que estas também ficaram bem distantes “do empolgamento da campanha e do entusiasmo dos primeiros dias de deslumbramento.”

Quanto à pobreza, que antes recuava de forma sustentada, hoje dá sinais de uma nova expressão e teima em demonstrar a sua face mais perniciosa.

No que concerne ao  financiamento das empresas e do sector privado, antes fluido nas conversas semanais, parece esbarar-se na inércia e na incapacidade de transpor o discurso para a prática, demonstrando que a realidade, às vezes, é muito mais complexa do que aquela que aparenta ser.

As críticas passam ainda pelo financiamento da Educação, da reforma no sector dos transportes, da retirada da companhia de bandeira das operações domésticas inter-ilhas, bem como as operações internacionais que partiram de uma privatização sem concurso “Envolta em polémicas, com ausência de transparência e com cláusulas de confidencialidade até para o Parlamento que, no nosso sistema, é considerado o centro vital, para além do valor residual fixado para as ações”.

Segundo o líder do grupo parlamentar do PAICV, este modelo de privatização deixa ilhas de fora, comprometendo os investimentos e a dinâmica económica e penalizando as pessoas como é o caso de São Vicente, que até ao momento, não pode usufruir das facilidades praticadas pelo Cabo Verde Airlines.

As criticas de Semedo vão também para a concessão dos transportes marítimos com o um modelo de que mostra claramente, que apesar da cedência desta a uma empresa internacional, nada mudou, e que neste momento o foco são os transportes rodoviários com o Governo a colocar os operadores num verdadeiro sufoco.

“Isso acontece com o transporte urbano e com o transporte interurbano afetando os proprietários das Hiaces e dos táxis que também vêm-se a braços com novas exigências e novos compromissos”.

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