UCID diz que venda do Liceu da Várzea dá ideia que a educação não tem valor no país

8/05/2019 13:34 - Modificado em 8/05/2019 13:37
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“Um governo que se preze não lida de forma facilitista com a educação e muito menos uma escola como a do Liceu Cónego Jacinto, na Várzea, que alberga quase dois mil alunos e mais de cem professores e outros funcionários”, critica António Monteiro que reage assim a notícia sobre a venda do terreno onde está o Liceu, para a construção da nova embaixada dos EUA na cidade da Praia.

Para o líder da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), o processo foi muito mal conduzido. Monteiro diz que é do entendimento da UCID que se deveria, em primeiro lugar, criar as condições, ou seja, ao invés da venda de uma escola, houvesse, caso possível, uma troca.

A embaixada dos EUA vai deixar o Plateau para, num futuro próximo, ficar localizada nos terrenos onde actualmente está instalado o Liceu Cónego Jacinto, na Várzea.

O anúncio da venda foi publicado no Boletim Oficial do dia 6 de Maio e devidamente assinada pelo Ministro das Finanças e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, respetivamente, Olavo Correia e Luís Filipe Tavares. O mesmo diz que o terreno de 12 mil metros quadrados será vendido para que ali se possa construir as novas instalações da embaixada dos EUA. O Estado de Cabo Verde recebe 5,8 milhões de dólares com a venda.

“Vender uma escola é do nosso ponto de vista vender a alma de um povo e a alma de um povo não se vende”, afirma o líder do partido da oposição que acredita ainda que o governo tomou uma decisão de forma precipitada “e sem uma profunda reflexão sobre os impactos socias que pode ter a comunidade Praia e da Várzea em particular”.

Por isso, no entender de António Monteiro, a melhor forma seria a construção de uma escola em primeiro lugar. E mostra-se indignado com esta situação, o que levanta diversos questionamentos. A questão do destino dos alunos e professores que fazem parte da escola, dos funcionários, bem como a questão da segurança. “Estamos a falar de um local ao lado do Palácio do Governo onde vai-se construir a embaixada de um país terceiro”. E se todas as normas de segurança foram tidos em atenção.

A venda do espaço, continua a mesma fonte, coloca em causa também a vida desenvolvida ao redor da escola, garantindo o ganha-pão de muitas mulheres e a justificação dada pelo governo, conforme explica Monteiro, não convence, porque, no seu entender, fugiram aquilo que era o teor e essência da questão. “O crescimento populacional para justificar a venda da escola, não é este o teor essencial, da venda mas sim vender por vender, deixando aos cidadãos que a ideia de que a educação não tem nenhum valor neste país”.

Portanto acusa o governo de estar a delapidar o bem público, vendendo a seu bel-prazer, tendo em conta apenas interesses que não se coadunam com a realidade apresentada.

Posto isso, apela ao governo, que antes de se retirar a escola, se construa rapidamente um novo edifício, para que o mal seja minimizado.

“Pela alienação do referido prédio urbano melhor identificado (…), o Governo dos Estados Unidos da América, pagará ao Estado de Cabo Verde, o valor de 5.800.000 USD (cinco milhões e oitocentos mil dólares)”, ou seja, cerca de 570 mil contos à taxa actual do dólar.

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