Assassinato de Lígia Cruz causa revolta no seio dos internautas

23/04/2019 23:46 - Modificado em 23/04/2019 23:46

Lígia Cruz foi assassinada no passado dia 20 de Abril, pelo seu companheiro Noel Santos, no Bairro Casa para Todos em Chã de Marinha. Tinha 40 anos, e deixou quatro filhos. Um acto de feminicídio que tem gerado uma onda de revolta entre os internautas.

Com recurso a um martelo, o pedreiro de 33 anos, esmagou a cabeça da sua companheira,. Um crime monstruoso repudiado veemente por todos. Noel viria a entregar-se à polícia, mas as motivações que estarão por detrás desse crime ainda não são conhecidas.

Lígia é mais uma vítima cabo-verdiana do que de alguns anos para cá se acordou chamar de “feminicídio”. Um termo que, embora ainda não esteja incluído na nossa matriz penal, é considerado um crime de ódio e definido como o assassinato de uma mulher por um homem pelo simples facto de ela ser mulher. Este ocorre usualmente em contextos culturais e institucionais de discriminação e violência contra a mulher (violência de género) que são acompanhadas por um conjunto de acções de extrema gravidade e conteúdo de foro não humanas como torturas físicas e psicológicas, mutilações, queimaduras, abuso sexual, ameaças e… finalmente a morte.

Sendo assim, este caso junta-se aos quase 2.500 casos da Violência Baseada no Género (VBG) registados por ano e que, depois das ofensas corporais, é o segundo crime mais frequente em Cabo Verde.

Ora, nas redes sociais mais propriamente no facebook, a onda de repúdio e consternação originados por este crime não param de aumentar. Muitos desses internautas pedem mão pesada para casos deste tipo.

Para a internauta Duxa Lima é preciso dizer BASTA em nome de todas as mulheres vítimas da violência. “Vamos unir-nos e pedir penas severas para o bem das nossas filhas. Vamos ensiná-las a se protegerem e a se amarem para dizerem Basta” escreve esta internauta que pede que a justiça seja feita.

“Para mim o que mais dói é saber que as crianças vão ficar sem a mãe. Porque o pai elas já não têm. A lei precisa ser alterada urgentemente, e aplicar penas mais severas” redige Samuel Varela. Já Maria Nascimento, não entende como é que um ser humano tem coragem para fazer algo do género.

“ ‘A mão que te abraça é a mão que te mata!’ Como é possível ainda as pessoas viverem nessa mentalidade do fizeste ou não gostei e agora pagas…sem o mínimo de respeito pela vida nem mesmo pela vida dos filhos! Triste esse nosso mundo!” escreve Elsa Almada.

Para Ângela Elizalde quem ama outra pessoa de verdade não tem coragem de fazer algo do tipo: “É preciso começar a pensa em cuidar. É lamentável o que se passou”.

De acordo com Filomena Barreto Ferreira esta situação é deveras preocupante. “Os números falam por si e para isso há que encontrar uma solução rápida e duradoura. Que a terra lhe seja leve” escreve esta internauta.

Muitos ainda afirmam que o Estado e a sociedade em geral precisam assumir de vez todas as suas responsabilidades e garantirem à mulher o seu direito de viver livre da violência e de maus tratos. Apontam ainda que em Cabo Verde apesar do trabalho feito, muitas coisas precisam ser alteradas, para pôr cobro de vez, para que não se repitam mais casos do tipo e que mancham o nome do país.

  1. Flávio Neves

    Muitas vezes ouvimos barulhos estranhos vindo da casa do vizinho, temos a mania de dizer que é um problema de marido e mulher, então eles que se entendam. Se cada um de nós, tivermos atentos e dispostos a ajudar o outro, podemos sim, evitar situações do tipo.
    Mais vale bater à porta e verificar se está tudo bem, ou chamar as autoridades, do que vir a saber que uma mãe perdeu a vida deixando crianças pequenas e não fizemos nada.

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