Potencial da zona livre de comércio está “subestimado”

23/04/2019 17:19 - Modificado em 23/04/2019 17:19
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O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) defendeu que o potencial da Zona Livre de Comércio Africana (ZLEC) está “subestimado”, considerando que, se for bem-sucedida, resolverá parte do desemprego jovem no continente.

Akinwumi Adesina, presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD)
 |  REUTERS/THIERRY GOUEGNON

“A ZLEC é uma oportunidade que, se for bem-sucedida, pode ajudar a resolver os problemas do desemprego jovem mas, para ser bem-sucedida, ainda falta fazer um conjunto de coisas fundamentais: temos que construir capacidade industrial, continuar a investir de forma maciça em infraestruturas e assegurar que temos as capacidades que as empresas precisam”, disse Akinwumi Adesina, em entrevista à Lusa.

“Senão, será como ter um grande armazém que não conseguimos encher com mercadorias”, acrescentou.

Por outro lado, sustentou o antigo ministro da Agricultura da Nigéria, o potencial desta zona de comércio tem sido “subestimado” pelos vários estudos que mostram as vantagens económicas do livre comércio de pessoas e bens.

“Vai ajudar a aumentar em cerca de 50 mil milhões de dólares [44,4 mil milhões de euros] as trocas comerciais, mas não é apenas isto. Se África for capaz de reduzir o desemprego entre os jovens para o mesmo nível da população adulta acrescentará, entre 2020 e 2035, cerca de 5 mil milhões de dólares [4,44 mil milhões de euros] em Produto Interno Bruto (PIB) da região”, apontou o banqueiro.

“Se conseguirmos aproveitar todo o potencial da Internet no continente, em 2030 conseguiremos adicionar 3,5 mil milhões de dólares [3,1 mil milhões de euros] ao PIB”, concluiu Akinwumi Adesina.

O Presidente do BAD defendeu a necessidade de “tirar partido de todas as oportunidades que irão permitir a zona comum de comércio crescer”.

Akinwumi Adesina sublinhou o papel do BAD na implementação desta zona de comércio livre, adiantando que se traduz, essencialmente, na preparação dos jovens para “as grandes oportunidades” que vão surgir nessa área.

“Temos fundos do BAD destinados a apoiar os negócios de jovens na área das tecnologias de informação e comunicação, em empresas digitais, e estamos também a investir fortemente no financiamento comercial, maioritariamente a pequenas e médias empresas, que representam mais de 70% dos negócios no continente”, adiantou.

“Já ajudamos a mobilizar mais de 7 mil milhões de dólares [6,2 mil milhões de euros] em financiamentos para o comércio”, acrescentou.

Em 21 de março do ano passado, na cimeira extraordinária da União Africana, que decorreu em Kigali, capital do Ruanda, 44 dos 55 Estados-membros da organização pan-africana aprovaram o acordo que prevê lançar o tratado de criação desta zona de livre comércio, com a designação em inglês de African Continental Free Trade Area (ACFTA).

A criação desta região económica, que visa fortalecer os fragmentados mercados africanos e a presença, a uma só voz, na cena internacional nas negociações com outros blocos, vai permitir apoiar o desenvolvimento de um continente com cerca de 1.200 milhões de habitantes.

A ACFTA permitirá criar o maior mercado do mundo, uma vez que envolverá os 55 Estados-membros da UA, com um PIB acumulado a ascender a 2,5 mil milhões de dólares (cerca de 2 mil milhões de euros).

Para se tornar efetivo, o acordo tinha que ser ratificado pelos parlamentos de pelo menos 22 países, meta atingida, no início de abril, com a ratificação do tratado pela Gâmbia.

Todos os países africanos lusófonos assinaram o tratado, mas os respetivos parlamentos ainda não o ratificaram.

Por Lusa

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