Mais de 150 defensores dos direitos humanos mortos em 2018 na Colômbia

23/04/2019 16:35 - Modificado em 23/04/2019 16:35
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O ano de 2018 foi um dos mais mortíferos para os defensores dos direitos humanos na Colômbia, com o assassínio de 155 pessoas, um aumento de 46,2% relativamente a 2017, segundo um relatório hoje divulgado.

“Oaumento de assassínios em 2018 indica que foi um dos anos com maior número de vitimizações e violações no exercício da defesa e da liderança social na Colômbia”, destaca-se no relatório, financiado pela embaixada da Noruega na Colômbia e pelas agências de cooperação Misereor, Diakonia e Terras dos Homens.

O Sistema de Informação sobre Agressões contra Pessoas Defensoras de Direitos Humanos na Colômbia revelou que 90% dos 155 assassínios foram cometidos contra homens, 9% contra mulheres, e 1% contra membros da comunidade Lésbica, Gay, Transgénero, Bissexual e Intersexo (LGTBI).

Os departamentos colombianos onde ocorreu um maior número de homicídios foram em Cauca, com 28 casos, seguido de Antioquia (24), Norte de Santander (15) e Putumayo (13).

“Tal como nos anos anteriores, são os diretores das Juntas de Ação Comunal (JAC) quem encabeçam esta lamentável lista com 63 assassínios, comparativamente aos 29 de 2017, ou seja, houve um preocupante aumento de 117,2%”, sublinha o relatório.

As JAC são formas de associação e organização das comunidades, especialmente rurais, para procurar soluções para os problemas do seu meio-ambiente.

Em relação à autoria dos homicídios, em 111 dos casos, equivalentes a 73%, os presumíveis responsáveis são desconhecidos.

Em 16 casos, correspondentes a 10%, trata-se de grupos herdeiros dos paramilitares e em 12 dos casos (8%), foram dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Outros nove homicídios (5%) foram executados pela guerrilha do Exército de Libertação Nacional colombiano, e sete (5%) pelas forças policiais.

“Sobre o porquê de se apresentarem tantos casos cometidos por desconhecidos, entende-se que a razão pode estar no receio dos familiares ou membros das comunidades de denunciar por razões de segurança, dada a complexidade dos contextos”, justifica o relatório.

“A outra razão pode estar relacionada com o facto de a maioria dos assassínios serem cometidos por sicários”, acrescenta-se ainda no texto.

O documento indica ainda que no ano passado houve 805 agressões contra líderes sociais, nomeadamente “ameaças, atentados, desaparecimentos, detenções, judicializações, roubos de informação e assassínios”.

Estes números de 2018 representam um crescimento de 43,7% comparando-se com os 560 casos de 2017, o que demonstra que em 2018 foi “o ano com mais ataques registados por este sistema de informação”.

Segundo o documento, o crescimento das agressões contra os defensores dos direitos humanos demonstra que “o Estado não tem capacidade para aproveitar a oportunidade histórica que ocorreu com a desmobilização” da guerrilha das FARC após a assinatura do acordo de paz em novembro de 2016.

Nesse sentido, o documento refere que “as ações por parte do Governo não foram suficientes e a implementação dos acordos de paz ocorreu de forma lenta e pouco efetiva”.

O relatório considera que o desenvolvimento do primeiro ponto do acordo de paz, o da “reforma rural integral”, é a chave para evitar os assassinatos, pois os números no país evidenciam que “a defesa da terra e do território aparece como uma das causas que mais são silenciadas por diferentes atores, o que se reflete nos registos de agressões”.

Os números hoje divulgados são superiores aos do que constam do relatório anual do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, que registou o assassínio de 113 líderes sociais em 2017.

Por Lusa

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