Empresárias do Norte sufocadas com as tarifas áreas e alfandegárias receiam ficar no desemprego

1/04/2019 00:32 - Modificado em 1/04/2019 00:32
| Comentários fechados em Empresárias do Norte sufocadas com as tarifas áreas e alfandegárias receiam ficar no desemprego
Foto: Inforpress

Depois da atualização das novas tarifas para voos internacionais da Cabo Verde Airlines e dos voos domésticos por parte da Binter-CV, a empresária Cátia Alves, que esperava por  melhores tarifas diz-se que  surpreendida com o aumento dos preços e  demonstra  a sua insatisfação para com o Governo.

Cátia assegura que, ela e outras empresárias, desde início deste mês  que estavam à  espera de um preço acessível para poderem requisitar o bilhete para Fortaleza no Brasil. Entretanto, acrescenta, que foram surpreendidas com o que considera uma autêntica bomba:  o preço de 78.000$00 para o percurso São Vicente-Sal-Fortaleza.

“Mesmo assim, com todo o estrago que esta bomba causou nas nossas vidas, unimo-nos  e decidimos o seguinte “não vamos ficar sem viajar. Vamos viajar de barco até à ilha do Sal e dalí apanhamos o avião para Fortaleza. Voltaremos depois para São Vicente na Binter, porque o cansaço já vai ser muito.”

Um facto que suscita ainda mais preocupações e desagrado para esta empresária é o facto, de os rendimentos para os comerciantes que trabalham comparando no Brasil/Portugal ou Senegal  para depois revender em Cabo Verde são cada vez menores. E Cátia faz as contas “ os bilhetes que custam mais de 70.000$00, quando se adiciona a isso os custos das deslocações para os aeroportos, visto (13.500$00 incluído a papelada solicitada), alojamento tanto em Fortaleza como no Sal, despesas alfandegárias, transportes, entre outras despesas inerentes à viajem.”

Cátia também aponta a uma “nova e triste política alfandegária” na ilha do Sal. Diz  que quando passam pela alfândega, as suas bagagens ficam na posse do pessoal que aí trabalha, que as notificam para contactarem um despachante e tudo tem de ser feito às pressas. “Tudo tem que ser numa correria contra o tempo, para resolver esta nova moda e viajarmos para São Vicente na Binter, no horário estipulado no bilhete de passagem. Nós temos que nos deslocar a Espargos, contactar o despachante, que não é assim tão fácil, e fazer o pagamento de 4.500$00. Depois voltar para a secção de envio de cargas no aeroporto do Sal, para pagar mais 8.000$00 na Binter, para que sejam transportadas para São Vicente”.

Diz que  que com esse factor, perdem logo a possibilidade de viajar com os 23 quilos que têm direito na Binter, ademais pagam novamente para que sejam transportadas para São Vicente. Mediante essa situação  afirma “os governantes foram escolhidos porque o povo queria melhorias e um Cabo Verde melhor e não para virem sufocar a vida das cabo-verdianas”. Neste momento, como ela diz, é isso que pelo menos as comerciantes de São Vicente estão vivendo, “um autêntico sufoco”.

“ Nós precisamos de viajar, urgentemente, para podermos continuar a arcar com as nossas responsabilidades, como por exemplo: o pagamento da licença da Câmara Municipal, Finanças, INPS, arrendamento do espaço e principalmente empréstimos, visto que nós recorremos ao banco para podermos iniciar o nosso negócio. Porque é só com empréstimos que nós conseguimos iniciar os nossos negócios, porque o dinheiro não é encontrado no chão, daí que se nós não viajarmos, teremos que fechar as portas e teremos que dar baixa na licença da Câmara Municipal,

Esta empresária afirma que a grande vontade das mulheres das ilhas de São Vicente, Santo Antão e São Nicolau, é de trabalhar, para continuarem a lutar pela sua sobrevivência e contribuir para o crescimento da nossa economia. E chegado a este ponto ela começa por questionar que se não forem elas quem irá lutar por elas.

Cátia Alves garante que já fizeram várias reclamações, mas que sempre são humilhadas, ao pedirem ajuda para que sejam criadas condições que possam dar-lhes o devido direito de seguirem com as suas vidas, nos seus ramos de trabalho. Por isso mais uma vez mais questiona o Governo  “se ainda não foram tocados nos seus corações com estas medidas”.

“Nós já não estamos conseguindo baixar-nos para retirarmos as pedras que estão colocando à nossa frente. Mais uma vez, nós estamos aqui pedindo-vos, implorando se for preciso, para que nos ajudem a resolver este problema que foi criado por vós” conclui Cátia Alves.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2020: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.