Cabo Verde tem 200 M€ de excesso de liquidez que não podem “estar a dormir”

27/03/2019 00:12 - Modificado em 27/03/2019 00:13
| Comentários fechados em Cabo Verde tem 200 M€ de excesso de liquidez que não podem “estar a dormir”

O ministro das Finanças considerou que o sistema bancário tem mais de 200 milhões de euros de excesso de liquidez, dinheiro que “não pode estar a dormir nem a representar um custo para a política monetária”.

Para Olavo Correia, esse valor “tem de estar a ser gerido para gerar valor para o país”.

“Nós, Estado, estamos disponíveis a ajudar para que esse dinheiro que está a dormir nos bancos esteja nos talentos, para criar valor”.

E deixou um aviso: “Nem os bancos nem o Estado têm dinheiro para dar a alguém. Ninguém vem pedir dinheiro ao Estado, muito menos o sistema bancário que tem de gerir recursos de terceiros”.

“O que temos são instrumentos para incentivar aqueles que são talentos e que queiram gerar valor”, frisou.

Segundo o governante, existem atualmente três milhões de dólares (2,6 milhões de euros) para apoiar as empresas.

“Não quero ver esse dinheiro como depósito no sistema bancário. Quero ver empresas a serem incentivadas, a melhorar a sua contabilidade, gestores melhor formados, projetos bancários e empresas com financiamento para criar valor e gerar empregos”, disse.

Os projetos, ressalvou, têm de ser bancários e “não peçam que o Governo seja agente avaliador de projetos ou de riscos. Esse não é o papel do Governo, por isso estamos em parceria com o sistema bancário, que conhece bem esse negócio, que gere o risco de forma profissional”.

Em representação do sistema bancário, o presidente da comissão executiva do Banco Comercial do Atlântico (BCA), Francisco Costa, sublinhou que “uma banca com excesso de liquidez não pode ser vista como uma banca permissiva”.

“Precisa de fazer crédito, mas só pode fazer crédito para empresas que tenham viabilidade”, referiu.

Segundo Francisco Costa, “a exigência da banca não é apontada pelos empresários como principal fator para o não investimento. A exigência da banca é fundamental e vai continuar a existir, mas é bom para o país, porque o efeito multiplicador do crédito só existe se os projetos forem viáveis e tiverem perenidade”.

“Os bancos precisam de evidências. Ainda continuamos a ter muitas empresas informais e sem elementos contabilísticos capazes de darem sustentabilidade às decisões da banca”, referiu.

 Fonte : Lusa

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2020: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.