Navega durante horas à procura de mãe desaparecida em Moçambique

24/03/2019 18:25 - Modificado em 24/03/2019 18:25
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A história teve um final feliz, mas uma irmã de Veronica ainda está desaparecida.

Há uma semana que Moçambique lida com uma catástrofe que já matou mais de 400 pessoas, feriu centenas de moçambicanos e fez milhares de desalojados. O ciclone Idai chegou com rajadas de 170 km/h, trouxe consigo chuvas, desabamento de terras e o caos. Um caos que ainda está longe de acabar.

Um pouco por todo o país mas, principalmente, na cidade da Beira, há famílias que não sabem onde estão os seus entes queridos e que procuram, com esperança, encontrar ou ter alguma notícia sobre os mesmos.

É o caso de Veronica Fatia. Durante dias lutou, com a filha de dois anos ao colo, para sobreviver às inundações que invadiram a Beira, sem saber se a mãe, habitante da cidade de Buzi, estava viva.

Quando achou que era minimamente seguro, meteu-se num barco de madeira com a bebé e dois sacos de arroz e remou contra uma maré lamacenta e carregada de cadáveres para tentar encontrar a mãe.

Conta a Associated Press que, depois de três horas de viagens, Veronica chegou a Buzi, ou pelo menos ao que resta da cidade. Encontrou um prédio de três andares, com pessoas no telhado, de telemóvel na mão, como se a aproximação do céu trouxesse algum sinal. Passou por pessoas a dormir na rua, a cozinhar ao lado da estrada e até por um menino a ler um livro à beira do caos.

Perguntou pela escola, com esperança que a mãe lá tivesse. Mal chegou ao estabelecimento de ensino, que agora serve de abrigo, gritou pela mãe.

E ela lá estava. Abraçaram-se perante o olhar atento de quem está a passar pelo mesmo e, emocionadas, contaram aos jornalistas o quão felizes estão por terem sobrevivido à tragédia que se abateu sobre Moçambique.

“A minha casa desabou, mas estou feliz porque a minha mãe está viva”, contou Veronica.

Já Maria Antónia confirmou que, durante dias, não soube nada da filha e que pensou que ela tivesse morrido.

Apesar da felicidade do momento, ambas continuam preocupadas. É que Maria Antónia tem ainda uma filha desaparecida. Ninguém consegue contactar Quelimane, nem há informações sobre a mesma.

Perante semelhante destino estão milhares de famílias moçambicanas. À medida que as comunicações estão a ser restabelecidas, as pessoas tentam ligar a todo o custo para familiares de quem foram separados pelo ciclone Idai.

Por Notícias ao Minuto

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