Crise com Huawei coloca tecnologia no centro da agenda global

24/03/2019 16:12 - Modificado em 24/03/2019 16:12

A detenção da diretora financeira da Huawei no início de dezembro, no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, colocou a tecnologia 5G no centro da agenda global, com Washington a pressionar a Europa a ‘banir’ a operadora chinesa.

Wanzhou Meng, de 46 anos, é filha do fundador da Huawei e foi detida depois de os Estados Unidos terem pedido a sua extradição por alegadamente ter violado as sanções impostas pelas autoridades norte-americanas contra o Irão, processo que vai ser retomado em maio.

Entretanto, da violação das sanções às questões de segurança, passando por espionagem, foi um salto, abrindo um braço-de-ferro entre os Estados Unidos e a China.

As preocupações escalaram e a Comissão Europeia manifestou preocupações no que respeita à segurança das redes fornecidas pela empresa chinesa.

Na altura, tal como agora, a Huawei sempre defendeu a sua independência, afirmando que nunca usou o seu equipamento para espiar ou sabotar as comunicações nos países onde este é usado.

O tema também passou a estar na ordem do dia em Portugal, tendo em conta que em dezembro último, por ocasião da visita a Lisboa do Presidente chinês, Xi Jinping, foi assinado um memorando de entendimento entre a Altice Portugal e a Huawei, empresa que marca presença em Portugal desde 2004.

Recentemente, em entrevista à Lusa, o presidente executivo da Altice Portugal, Alexandre Fonseca, afirmou que a parceria com a Huawei é estratégica, mas que se houver “decisões políticas antagónicas”, a dona da Meo terá de “estudar e esclarecer ” como é que se poderá trabalhar nesse ambiente.

Alexandre Fonseca salientou que a operadora de telecomunicações “não tem qualquer suspeita de qualquer tipo de atuação menos rigorosa por parte da Huawei”.

Antes disso, o presidente da Comissão de Comunicações Federal (FCC) norte-americana, Ajit Pai, marcou presença em Portugal, onde se reuniu com as autoridades portuguesas para expressar as suas preocupações com as questões de segurança da rede 5G, onde está implícita a Huawei.

“É uma honra estar em Portugal”, um país que “é um dos mais antigos aliados da América”, começou por dizer Ajit Pai, apontando que para a FCC – Federal Communications Commission “o 5G é uma grande prioridade, tal como o é para a Administração” norte-americana.

Por sua vez, o presidente da NOS, Miguel Almeida, afirmou, no início deste mês, que uma eventual decisão da Europa no sentido de não permitir o desenvolvimento do 5G com base nas redes da Huawei levaria a um “atraso de pelo menos dois anos” nesta matéria.

Ainda recentemente, o ministro da Defesa Nacional afirmou não estar preocupado com eventuais riscos de investimentos chineses no 5G para a segurança nacional e remeteu para as “entidades certas” sobre aquelas matérias.

O primeiro-ministro, António Costa, por seu turno, segue “com toda a atenção” o dossiê Huawei e aguarda as recomendações de Bruxelas no que respeita aos requisitos de segurança.

Especialistas afirmam que as questões de segurança são colocadas a todas empresas que operem no 5G e que as entidades devem estabelecer requisitos nessa matéria.

Por exemplo, a Alemanha publicou no início deste mês uma lista de requisitos de segurança para as redes telecomunicações.

O calendário europeu de introdução do 5G é 2020, o modelo de atribuição de licenças ainda está por decidir, nomeadamente em Portugal, mas a tecnologia já está na ‘boca do mundo’.

Por Lusa

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.