Casar ter visto ou não: eis a questão

12/03/2019 00:48 - Modificado em 12/03/2019 00:48

A reportagem incide sobre a questão do casamento com o objetivo de conseguir visto e poder residir no estrangeiro e ter uma vida melhor. No entanto, de acordo com a nossa lei em vigor, “quem contrair casamento com o único objetivo de proporcionar a obtenção ou de obter um visto ou uma autorização de residência ou defraudar a legislação vigente em matéria de aquisição da nacionalidade é punido com pena de prisão de um a quatro anos”.

A nossa reportagem foi saber a opinião de algumas pessoas sobre este assunto, que sugere que “quem, de forma reiterada ou organizada, fomentar ou criar condições para a prática” destes atos, “é punido com pena de prisão de dois a cinco anos”, sendo igualmente punível a tentativa de os concretizar.

Isto, porque a justiça de Cabo Verde está a investigar casos de matrimónio de cidadãos nacionais e estrangeiros, considerados suspeitos.

Para fugir do desemprego e tentar a vida noutro país, muitos cabo-verdianos e cabo-verdianas, já recorrem ao “casamento de fachada”, apenas com o objetivo de conseguir visto e ter residência num país estrangeiro.

Mas, segundo outro interlocutor, convém distinguir o trigo do joío, pois nem tudo o que parece é. Para “António”-nome fictício- quem não deve não teme pois, não são raras as vezes que por detrás destes casamentos estão redes criminosas com ramificações em vários países. Redes que tratam de tudo, a troco de elevadas quantias monetárias. E ai o caso muda de figura, conclui

Apesar de alguns matrimónios seguirem o seu curso normal, ou seja, casamento por amor com formação de família, a justiça cabo-verdiana investiga os casos em que, o único propósito é a obtenção de documentos que lhes permitam sair do país. E em muitos dos casos que se encontram sob investigação, os protagonistas poderão vir a ter que provar que amam o seu cônjuge. Terão que ter prova que se conhecem há muito tempo e provavelmente a sua vida será investigada minuciosamente.

E este enlace demanda comprovativo. Embora haja esforço de lucrar com o casamento de “fachada” e a obtenção de visto para trabalharem e ajudar as suas famílias na sua terra natal é um desses objetivos. Pelo menos foi assim com o português “Carlos” e a cabo-verdiana “Alicia” que se conheceram num bar do Mindelo. Ela pretendia casar e trabalhar durante alguns anos e voltar. “Queria trabalhar e juntar dinheiro para enviar à minha mãe e dois filhos”, diz ela. Para resolver a situação a solução foi casar. “Pensei: se eu casar, posso conseguir o visto e proporcionar a mim e a minha família uma vida melhor” e conseguiu.

Segundo ela, não houve nenhum valor monetário envolvido na união. E portanto, diz que não entende o porque da justiça estar investigar algo tão banal, como alguém que se casa à procura de melhores condições de vida.

Esta a opinião de várias pessoas que dizem que existem coisas mais relevantes para serem investigadas tais como o sumiço das crianças e outras pessoas desaparecidas. “A nossa terra está uma miséria e muitas pessoas são obrigadas a emigrar a procura de uma vida melhor e alguns casam para ter esse benefício. Não acho que seja crime, porque não investigam os casos de corrupção e desaparecimento de pessoas em vez de gastarem recursos nisso”, critica outro interlocutor.

Outros dizem que se os cabo-verdianos estão a fazer isso é porque no Centro Comum de Vistos, só querem dinheiro. “Pedem o dinheiro e depois não dão os vistos”, acusam. Portanto dizem que é uma forma de driblar a situação.

Outros defendem alegando que nem todos casam apenas para obter o visto e por isso, ninguém deve ser afetado pelos crimes dos outros. “Casei há dois anos com o meu marido, mas a união nada teve de interesses secundários. O que nos une é o amor e não a intenção de conseguir a documentação para viver em Espanha”.

Portanto, afirmam que o dinheiro público deveria ser melhor utilizado e que a justiça deve dar importância a casos mais que estão a “destruir a nossa Terra”, e que se “as pessoas estão a agir dessa forma é porque o Governo não está a dar nenhuma chance de viver condignamente em Cabo Verde”.

“E com tantos casos estagnados e que devem ser resolvidos ou que já deviam ter sido resolvidos ficam aqui enfiando o nariz na vida alheia, procurando o que fazer. Pelo amor de Deus, cada qual faz o que bem entender, casa com quem quiser e vocês não têm nada com isso”, conclui.

  1. Cidadã

    Isso mesmo, num país com tantos problemas sócio – economicos quem conseguir uma saída para melhorar a sua vida e dos seus famíliares, sorte dele ou dela.
    Há coisas mais importantes criminais para resolver, quem casa por dinheiro ou amor é problema deles, cada um faz da sua vida o que entender.
    Agora se Portugal sente lesado, ele que investiga.
    O estado Caboverdiano tem que trabalhar pela felicidade do seu povo e se sair de Cabo Verde para procurar uma vida melhor é a felicidade, que seja.
    Ou então para cada cidadão Caboverdiano um emprego que lhes permite uma boa nivel de vida.

  2. va

    Deviam investigar Sr procurador aquelas crianças de desapareceram durante todo esse tempo. É nunca souberam o paradeiro. É tentan desviar-nos dos principais assuntos Para ver se já esquecemos.

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