Enterro do Carnaval: a marcha fúnebre mais alegre de todas

10/03/2019 23:59 - Modificado em 10/03/2019 23:59

Como é tradição, já alguns anos, os Mandingas de Ribeira Bote, juntamente com outros grupos, sendo que este ano fez-se acompanhar apenas pelo grupo de Fonte Filipe desfilam pelas artérias de algumas ruas de São Vicente, dando por encerrado os desfiles que aconteceram semanalmente, desde o dia 27 Janeiro.

Participantes dizem que é um misto de emoção, entre alegria e tristeza, alegria porque é o movimento espontâneo mais esperado e que movimenta pessoas na ilha e tristeza, porque agora é só para o ano. No entanto dizem que faz parte da nossa vivência e que a saudade, logo vai ser aplacada, porque já no próximo ano estarão de volta.

A praia situada na Avenida Marginal serviu mais uma vez da “última” morada do carnaval de São Vicente, numa cerimónia simbólica que relembra os funerais vikings, com a largada do caixão, em miniatura, na praia, por um contingente de pessoas, que também aproveitaram o momento para se banharem.

Acompanhados de uma multidão de pessoas, que sempre no último desfile tende a aumentar substancialmente em relação aos domingos anteriores, o grupo de mandingas saiu da zona de Ribeira Bote, sensivelmente por volta das 15:30, rumo à Avenida Cidade Invicta, na avenida que liga a rotunda de Ribeirinha à rotunda de Cruz, e que no caminho, em frente à esquadra da Policia Nacional serviu de palco para o encontro entre os Mandingas de Ribeira Bote e Fonte Filipe.

Este ano, apenas estes dois grupos se juntaram para fazer a despedida do carnaval de São Vicente. Todos os anos, surgem alguns grupos de outras zonas, os quais, todos os domingos até o dia do Enterro do Carnaval tratam de invadir as artérias da cidade e arredores com os sons e passos de dança característicos dos mandingas, sempre com uma multidão a acompanhá-los.

O problema é que muitas vezes, no entusiasmo do desfile, os seguidores do grupo tiram alguma visibilidade elementos dos grupos de mandingas, metendo-se no meio e dificultando o desfile, apesar da forte segurança feita por elementos do grupo. E também referir também que um forte contingente policial, fez a segurança do desfile durante todo o percurso.

Cada grupo, levava sobre os ombros de alguns membros um caixão feito de papelão, que simboliza a “morte” da festa do Rei Momo, acompanhado de milhares de pessoas que queriam se despedir, pelo menos este ano, da maior manifestação cultural da ilha.

O preto, como sempre era a cor predominante, os cânticos que nada tem a ver com o funeral, vão desde de improvisações, as composições. E foi “tud é bada”, que mostra que a população que tem a sua nova gíria, para o restante do ano, caso não surja outro.

Depois do desfile oficial, esta manifestação cultural é esperada com o mesmo ímpeto todos os anos, por jovens adultos e crianças, para juntos fazerem a despedida do carnaval.

Durante todo o percurso, era visível o crescente aumento de pessoas. Ao chegar a Fonte de Meio, olhado-se para trás, o caudal do desfile ainda estava na Assomada de Cruz, ao som do trio eléctrico que acompanhava o desfile que junta, novos e velhos e todas as classes sociais. E como refere a música vencedora do carnaval de São Vicente, o ambiente era de “Sabura sem Fronteiras”, tanto na idade como de países, visto que de ano para ano, os estrangeiros também têm se maquilhado e acompanhado os grupos como elementos e a brincarem o carnaval.

Destaque também para o civismo que reinou durante o desfile, que passou pela avenida que situa, na parte de trás da Escola Secundária Jorge Barbosa e que foi desbocar em Chã de Alecrim, seguido da Laginha e finalmente na Avenida Marginal, com uma enorme plateia à procura de melhor local para assistir a entrada dos navios e do pessoal na praia.

O certo é que o anúncio oficial do encerramento do carnaval de São Vicente, já foi feito, com um desfile arrasador e magnífico, projectado por mais de cinquenta pessoas que fizeram parte desta manifestação cultural.

Um espectáculo que ficou registado na memória e lentes dos muitos presentes no local.

Este ano, o Grupo Cruzeiros do Norte sagrou-se vencedora da competição, no dia 06 de Março, com um desfile irrepreensível, deixando atrás de si, por esta ordem, os grupos Monte Sossego, Estrelas-do-mar e Flores do Mindelo. De relembrar que o Vindos do Oriente que era, na altura detentora do troféu, não participou do concurso oficial.

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