Deputados da CEDEAO em desacordo com peritos sobre implementação da moeda única

6/03/2019 15:36 - Modificado em 6/03/2019 15:37

O Seminário Parlamentar da CEDEAO subordinado ao Tema: “Desafios e Perspetivas da Moeda Única na CEDEAO: Mobilização dos Parlamentares no Sentido da Sua Realização”, arrancou esta terça-feira, 5, em Dakar, Senegal, com dissenso sobre a ideia de criação da moeda única, a ensombrar os deputados comunitários. A condução dos trabalhos esteve a cargo do vice-presidente do Parlamento da CEDEAO, Orlando Dias.  

Apesar de esforços consentidos, quer pelo Parlamento, quer pela Comissão da CEDEAO, o certo é que a integração económica e monetária dos países da África Ocidental, através da implementação da moeda única, já em 2020, no âmbito da Agenda 20/20, não é matéria de consenso entre os deputados do Parlamento da CEDEAO.

O pomo da discórdia foi registado esta terça-feira, 5, durante as apresentações e debates de duas comunicações, pelos peritos do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) e da Comissão da CEDEAO, respetivamente. “A situação económica e financeira na zona da UEMOA, durante o Ano 2018 e as consequências da criação da moeda única”, apresentado por um especialista da BCEAO e “Projeto da criação da Moeda Única, conteúdo e o estado de implementação do roteiro e a “Task ForcePresidencial sobre o Programa da Moeda única”, exposto pelo comissário da CEDEAO pelas políticas macroeconómicas, suscitaram acesos debates, com os deputados e os peritos a esgrimirem-se os seus argumentos

Para a maioria dos parlamentares da CEDEAO a moeda única não irá resolver os problemas socioeconómicas por que passam os países da comunidade. A questão da convergência económica e normativa, a infraestruturação dos países com vista a transformar o setor empresarial público-privado competitivo, o reforço da capacidade institucional, educação e combate às doenças parasitárias são, para já, alguns constrangimentos apontados pelos deputados dos 15 países da CEDEAO, que preferem ver estes problemas resolvidos, que a implementação da moeda única.  

De acordo com Orlando Dias, vice-presidente do Parlamento da CEDEAO, que alinha pelo mesmo diapasão dos seus colegas e do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, quando disse, em entrevista à Euro News, durante a última cimeira da União Africana(UA), em Adis Abeba (Etiópia), que a moeda única não é prioridade para Cabo Verde, uma vez que o arquipélago tem o escudo indexado ao euro, o nosso país agiu bem, pois a moeda cabo-verdiana  é, neste momento, um fator de confiança, para a nossa economia.   

“Até chegarmos a moeda única temos muitas questões pendentes a serem resolvidas. Entre muitas, citaria, aqui, a meta do crescimento económico fixado em mais de 8 por cento, convergência económica, luta contra a pobreza, infraestruturação da sub-região, irradicação do analfabetismo, combate às doenças infeciosas e parasitárias”, aponta Orlando Dias aconselhando os peritos a ajudarem as autoridades dos 15 países da CEDEAO a encontrarem-se soluções para estes problemas, ao invés da moeda única neste momento. 

Recorde-se que o seminário parlamentar de Dakar continua esta quarta-feira, 6, com o diretor-geral do Instituto Monetário da África de Oeste (IMAO), diretor-geral da Agência Monetária da África de Oeste (AMAO) e um perito em assuntos parlamentares e professor universitário, a discorrerem-se sobre temas como: programas de cooperação monetária na CEDEAO, projeto da criação da moeda única e comunicação do ponto de vista universitário, em relação à implementação da moeda única.  

  1. Agostinho Fonseca

    Mais uma demagogia. Todos sabem que isso nem dà resultado na Africa Continental quanto mais na Insular (Cabo Verde). Moeda ùnica é mais um atentado à nossa forma de viver que, ao fim e ao cabo, não é como o dos continentais.
    Se Cabo Verde vai tendo alguns “pontos” é porque vive diferentemente da Africa Continental.
    Pergunt: – Que temos nôs de comum? Nada minha gente.

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.