Acordo nuclear “desarmou” cimeira entre EUA e Coreia do Norte

28/02/2019 15:17 - Modificado em 28/02/2019 15:17
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A segunda cimeira entre os EUA e a Coreia do Norte terminou hoje abruptamente perante a incapacidade de os líderes dos dois países chegarem a um acordo sobre o desarmamento nuclear da península coreana.

Os trabalhos da cimeira começaram com sinais de harmonia entre o Presidente dos EUA, Donald Trump, e da Coreia do Norte, Kim Jong-un, mas o entendimento esbarrou contra a questão central da desnuclearização da península coreana, sem que houvesse possibilidade de um acordo comum.

Nas primeiras cenas da cimeira em Hanói, quarta-feira, o líder norte-coreano até respondeu pela primeira vez a perguntas de jornalistas internacionais sobre a questão nuclear, mostrando-se disposto a encontrar uma solução para o problema central da reunião com Trump.

Se não tivesse vontade de o fazer, não estaria aqui agora“, explicou Kim Jong-un.

Mas, hoje, as negociações terminaram quando os EUA rejeitaram a proposta norte-coreana de eliminar as sanções impostas antes mesmo que se atingisse uma clarificação sobre armas nucleares.

A Coreia do Norte ofereceu-se para desmantelar o centro de pesquisa nuclear de Yongbyon, onde é produzido o combustível para as armas atómicas, mas em troca, Kim Jong-un exigia o levantamento de todas as sanções impostas por Washington.

Basicamente, eles queriam que nós levantássemos todas as sanções. E nós não podíamos fazer isso“, explicou Trump.

Para já, não há comentários oficiais sobre a cimeira de Hanói, da parte da Coreia do Norte, e Kim Jong-un fechou-se no quarto de hotel, depois de abandonar as instalações onde se realizou a cimeira.

“Às vezes, temos de caminhar”, concluiu Donald Trump, dizendo que prefere um bom acordo atingido com tranquilidade, em vez de correr para uma solução que não trouxesse vantagens para nenhuma das partes.

Foram dois dias muito interessantes, até produtivos, mas por vezes precisamos de nos retirar. E este é um desses momentos“, afirmou Trump, numa conferência de Imprensa, no final da cimeira cujo fim prematuro deixou, mais uma vez, em aberto todo o processo negocial entre os EUA e a Coreia do Norte.

Ficaram assim abandonados os planos inicialmente anunciados da assinatura de um tratado de paz, adiado desde 1953, embora tenham sido tentados alguns avanços diplomáticos, como a proposta de abertura de um gabinete de ligação norte-americano na Coreia do Norte.

Donald Trump disse que as negociações continuarão, mas deu a entender que não se voltará a encontrar com Kim Jong-un até que se verifiquem desenvolvimentos substanciais nas matérias estruturantes de desencontro, como seja a questão nuclear.

Veremos se isso acontecerá. Da minha parte, não existe qualquer compromisso“, afirmou hoje, perentoriamente, o Presidente norte-americano.

O seu secretário de Estado, Mike Pompeo, afirmava manter-se “otimista”, apesar do desenlace da cimeira, garantindo que as duas partes saem do encontro no Vietname “mais próximas” do que estavam antes de chegarem à cimeira.

“Fizemos um progresso real, todos esperávamos ter feito melhor, mas despedimo-nos com o acordo de continuar a trabalhar num problema que é incrivelmente complicado”, disse Pompeo.

A verdade é que a falta de resultados deixa embaraços em ambas as partes e envolve em incerteza os países da região, começando pela Coreia do Sul, cujo Presidente, Moon Jae-in, tinha aproveitado as Olimpíadas de Inverno para iniciar o processo de negociações entre a Coreia do Norte e os EUA.

E, como refletem hoje os média norte-americanos, o fracasso da cimeira eliminou qualquer esperança que Donald Trump alimentasse para conseguir um prémio Nobel da Paz, que pudesse usar como trunfo para a sua campanha de reeleição para Presidente, em 2020.

Por Lusa

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