Filomena Martins diz que São Vicente esta a sofrer de um estrangulamento económico

8/02/2019 17:56 - Modificado em 8/02/2019 17:56

Declarações feitas, esta quinta-feira, numa conferência de imprensa, no âmbito de uma visita ao círculo eleitoral de São Vicente e que incidiu sobre a área económica nesta ilha.

De acordo com a deputada nacional, eleita pelo círculo de São Vicente, a ilha sofre de um grande problema, derivado da questão dos transportes marítimos e aéreos que estrangula toda a actividade económica, comercial e empresarial em São Vicente.

“Sentimos que São Vicente tem neste momento um estrangulamento a nível do crescimento económico, adveniente essencialmente da inexistência de ligações aéreas e marítimas e que esta questão, está analisada primeiramente em três vertentes, que é a vertente doméstica com a Binter, a questão internacional com a Cabo Verde Airlines e em terceiro, as companhias internacionais que operam no mercado nacional”.

Filomena Martins critica o facto da companhia de bandeira, a Cabo Verde Airlines, continuar inexplicavelmente e incoerentemente com a inexistência de ligações diretas para o exterior, a partir de São Vicente. O que significa que o cidadão mindelense, os empresários e operadores económicos, as empresas e outros, teem uma grande limitação em querer sair da ilha, para o exterior.

Para que isso aconteça, o passageiro tem que comprar duas passagens distintas, porque não há uma articulação “interline” entre as várias empresas, o que constitui um acréscimo dos preços, tanto para a ilha do Sal como para a cidade da Praia, “no valor de quase 20 mil escudos e depois outra passagem em outra companhia, num valor entre os 80 e 90 mil escudos. Um custo adicional com grandes desvantagens”, lamenta a deputada, que reitera ainda o facto das empresas que continuam a sentir-se sufocadas no que concerne a exportação dos seus produtos, porque não conseguem responder às demandas internacionais que têm e não conseguem exportar os seus produtos em tempos reais e com baixos custos.

No entanto, afirma que não se pode basear na TAP, porque as condições desta não respondem as necessidades de exportação e cria um conjunto de constrangimentos que as indústrias e comércios não conseguem exportar.

Diz que não entende a teimosia do governo, que insiste em dizer que a rota não é rentável se a TAP faz seis voos semanais e neste momento tem insistido para voos noturnos e só não os faz porque há constrangimentos que ainda não foram ultrapassados, bem como outras companhias que operam diretos de e para São Vicente.

Neste rol de situações, não deixa de fora as rabidantes, mulheres que vivem da venda de produtos que importam de outros países, exemplificando, o pacote lançado pela Cabo Verde Airlines de Praia/Dakar/Praia, e que o norte do país não consegue aproveitar este pacote promocional, devido aos constrangimentos apresentados anteriormente.

O governo deve deixar claro se a Cabo Verde Airlines é uma companhia nacional

Outra questão que considera crucial é no seu entender, que o governo deve decidir se a CV Airlines é ou não uma companhia de bandeira. “Uma contradição em termos de gestão, porque não se entende, porque é que com o carnaval em São Vicente e São Nicolau, está a fazer pacotes promocionais para o Brasil. Porque se é nacional, deve promover Cabo Verde enquanto melhor e um grande destino. E se não é, então tem que ser claro e deixar de fazer o saneamento e financiamento da empresa com os nossos impostos”, acrescenta.

Binter e o seu monopólio interno

Em relação à Binter, Martins diz que esta deveria ter um conjunto de atitudes e politicas que também favorecessem o mercado interno. “Os operadores querem trabalhar com preço de pacote, mas a empresa recusa, e a contra proposta é a tarifa do operador, onde compra os lugares, vende-os e se não conseguir vender a Binter fica com o direito de vender os lugares excendentários que não foram vendidos. Ela não corre nenhum risco e aumenta as responsabilidades das agências de viagens em São Vicente e acrescenta os riscos que correm”.

No entanto deixa claro que o PAICV não tem nada contra a Binter como empresa, e que os questionamentos situam-se na falta de políticas no sentido de promover o turismo doméstico. “A Binter não tem um calendário que responde aos desafios internos de São Vicente. Não há uma política para estas alturas de pico, como o Carnaval, Festivais, Fim de Ano. E também não tem uma articulação com a TAP e CV Airlines, para os momentos em que o turista quer chegar a São Vicente.

Transportes marítimos: um silêncio dos deuses

Em relação aos transportes marítimos, a deputada do PAICV diz que, durante o concurso de concessão das linhas marítimas, houve uma confusão e que neste momento já existem resultados, mas não entende o silêncio por parte do governo em relação à concessão das linhas marítimas.Neste concurso, diz, as empresas sediadas em São Vicente ficaram prejudicadas, quando têm sido elas, em São Vicente, a fazer esforços “imensuráveis” para fazer a ligação de transporte de passageiros e de carga nacional e internacional. “Falta ao governo políticas públicas para o transporte que respondam ao crescimento económico do país e no caso concreto de São Vicente. Este é o grande problema que ilha vive neste momento e que estrangula toda a actividade económica, comercial e empresarial em São Vicente.

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