Director Nacional da Saúde revela que todos os dias morre uma pessoa vítima de cancro em Cabo Verde

4/02/2019 15:12 - Modificado em 4/02/2019 15:12
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Foto: Inforpress

O Director Nacional da Saúde, Artur Correia, afirmou que em Cabo Verde morrem anualmente de cancro cerca de 340 pessoas, ou seja, uma média de uma pessoa por dia, com maior incidência no cancro da mama, próstata e colo do útero.

Os dados foram avançados hoje, na Cidade da Praia, pelo Director Nacional da Saúde, Artur Correia, em declarações à imprensa, após ter presidido à cerimónia de abertura de uma mesa redonda para assinalar o Dia Mundial do Cancro, que este ano se celebra sob o lema “Estou atento e vou agir”.

De acordo com Artur Correia, todos os dias morre uma pessoa em Cabo Verde vítima do cancro. A doença representa 13 % da mortalidade e é a 3ª causa de morte no país, sendo que em relação aos homens há uma grande predominância dos cancros ligados ao aparelho digestivo e da próstata, enquanto nas mulheres os mais comuns são os da mama e do colo do útero.

A situação, segundo Artur Correia, é preocupante, mas que, para melhorar o panorama, será necessário tomar medidas importantes para tentar mitigar o processo que é evolutivo e contínuo, e que tem a ver com o desenvolvimento do país, mas também com políticas públicas que podem ser desenvolvidas em conjunto com outras instituições e todo o sector da sociedade cabo-verdiana.

Sobre o montante disponibilizado a nível orçamental para o tratamento e acompanhamento, não adiantou e disse que o Governo tem feito um grande esforço sobretudo na aquisição e administração dos medicamentos recebidos no país.

Por outro lado, avançou que a nível de saúde pública, o país enfrenta dois grandes desafios, nomeadamente a consolidação dos ganhos alcançados em relação às doenças transmissíveis como o sarampo, rubéola, poliomielite, transmissão do VIH da mãe para filho e do paludismo no horizonte 2020, e com o controlo e prevenção das doenças não transmissíveis, que têm a ver com todo o processo de desenvolvimento do país na qual se destacam os cancros que são considerados doenças do presente e do futuro.

“Em relação aos cancros, temos um grande potencial preventivo, onde todos os cabo-verdianos, nomeadamente o governo local e central e a sociedade em geral são chamados a assumirem a responsabilidade de contribuírem para a mitigação dos efeitos negativos das doenças não transmissíveis”, assegurou o responsável.

No que toca ao diagnóstico precoce no país, explicou que grande parte do processo é feito tardiamente, mas sublinhou que neste momento o ministério tem um programa nacional de prevenção e controlo do cancro e pretende dinamizar esse processo não só na vertente do diagnóstico, tratamento e seguimento, mas também na promoção, prevenção e protecção.

Segundo o mesmo, o diagnóstico precoce que possibilite o tratamento e a recuperação e aumenta as chances dos doentes e é uma tarefa que diz respeito não apenas ao Ministério da Saúde, mas a toda a população que deve estar sensibilizada e informada para poder agir.

O médico Tomás Valdez, que falava em nome do representante da Organização Mundial da Saúde em Cabo Verde, destacou os progressos alcançados pelo país, assegurou que a OMS está disponível para apoiar Cabo Verde na implementação do manual das directrizes para o manejo da dor em pacientes adultos e adolescentes com câncer, submetidos a terapia farmacológica e radioterapêutica, sobre o guia para o tratamento precoce.

“Queremos reconhecer os esforços feitos e dar os parabéns a Cabo Verde pelo progresso e dizer que estamos juntos para fazer e tornar a realidade o slogan deste ano “Estou atento e vou agir” e estar ao lado do país nos muitos desafios que ainda persistem”, exaltou.

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