Mérito teatral: Elisabete Gonçalves ou simplesmente…Bety

29/01/2019 00:16 - Modificado em 29/01/2019 00:16
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O Prémio de Mérito Teatral é uma distinção atribuída anualmente em sede da Assembleia-Geral da Associação Mindelact para homenagear um grupo de teatro, particulares, empresas, instituições públicas ou privadas que se destaquem pelo apoio e contribuição para o desenvolvimento das artes cénicas cabo-verdianas.

A escolha deste ano recaiu sobre a actriz Elisabete Gonçalves, carinhosamente tratado por todos por “Bety”, em reconhecimento do seu percurso enquanto actriz, figurinista, encenadora e aderecista, enfim, “um verdadeiro camaleão que se transforma em palco e nos bastidores”, de acordo com a Mindelact.

A condecoração, uma estatueta em bronze, será entregue no dia 27 de Março – Dia Mundial do Teatro.
Fundadora de vários projectos teatrais, entre os quais se destaca o Teatro Infantil do Mindelo, conheça um pouco do percurso profissional desta actriz, atualmenete a residir na cidade da Praia, numa entrevista concedida em exclusivo ao Notícias do Norte.

“Bety” e o seu percusro nas artes cénicas.

A atuar desde 1995, e a representar diversos papeis, questionada sobre a preferência sobre papéis dramáticos ou cómicos, diz que prefere interepretar todos, sem excepção.

Ademais, como atriz, já participou em mais de 30 peças. No que diz respeito questão figuração, adereços e cenário, são mais de 40 peças.

Um percurso que teve início, segundo a mesma, quando entrou no grupo de teatro do Centro Cultural Português do Mindelo. “Na altura, encontrei um grupo de pessoas que gostava do teatro mais do que da mãe e do pai, aí fui contaminada”, conta “Bety”, referindo no entanto, que a sua “queda” foi mais para o teatro infantil. Isso é, “porque sempre gostei da vertente de teatro de educação”.

No mundo do teatro, diz que se sente realizada porque para além de fazer teatro por amor ainda o teatro ajuda-a no seu trabalho como professora de Educação Artística.

Licenciada em Artes Visuais, via ensino artístico no M-EIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, Mindelo (Cabo Verde), assegura que apesar de viver agora, na ilha de Santiago e trabalhar no teatro em São Vicente é fácil, por razões que a entusiasma o teatro nas duas ilhas. É, em primeiro lugar, o amor pelo teatro e depois a geografia das duas cidades.

Confira a entrevista:
Notícias do Norte: Foi fundadora de vários projectos teatrais, entre os quais se destaca o Teatro Infantil do Mindelo. Como é trabalhar no teatro em São Vicente em relação ao trabalho na Cidade da Praia?
Elisabete Gonçalves “Bety”: Se levarmos em conta que fazemos o teatro por amor à arte em primeiro lugar. O prazer de fazer o teatro em São Vicente é que temos agentes teatrais e público motivados, disponíveis, abertos para nos receber, e que respeitam o nosso trabalho. Não estou a dizer que sempre foi assim. O deslocamento entre as zonas para um ator ir ao ensaio, é mais acessível em São Vicente, do que na cidade da Praia”. Como não somos profissionais, para podermos atuar, muitas vezes temos que ensaiar depois do trabalho, ou seja há noite. Sem referir o facto de termos atores que não trabalham e que às vezes não têm dinheiro para o transporte, a altas horas da noite, para o regresso a casa depois dos ensaios.
Na Praia tive o prazer de trabalhar no teatro infantil como profissional, mas foi dentro de um projeto vindo do estrangeiro “Caravana Teatro” FICASE e Cooperação Luxemburguesa, ou, ainda, em pequenos projetos ligados as câmaras municipais. Mas aqui falta-me o que eu tinha em S. Vicente: o rigor, o amor e atores realmente apaixonados pelo teatro.

NN: Quando está em cena, o que procura transmitir em palco?
Bety: Procuro transmitir verdade, boa energia, respeito a todo o público que saiu da sua casa para ir ver o espectáculo.

NN: Fala-nos dos seus espetáculos? Pode precisar em quantas peças já trabalhou?
Bety: Desde 1995, já entrei em mais de 30 peças como atriz, mas nos figurinos e adereços e cenário, emmais de 40 peças. Não sei, de momeno, precisar um número certo.

NN: Em todos estes anos de carreira, tem algum personagem que você mais gosta. Que lhe marcou mais?
Bety: De todas a peças que eu já fiz, o personagem que mais gostei mais foi o na peça “Cloun Creolus Dei”. É um espetáculo que usa a técnica de cloun, que para mim é a base do teatro. Pois foi a peça que já viajei mais em digressão. E no teatro infantil foi no grupo Caravana Teatro onde fiz uma personagem chamada “Coral” durante quase 3 anos.

NN: Ao contrário do que se pensa, teatro infantil não tem nada de amador. Existe um mercado, atores que se dedicam ao gênero, criadores, técnicos. Mas você não acha que esse mercado tem um enorme potencial que ainda não foi atingido?
Bety: O teatro infantil ou teatro de educação é um campo muito difícil de trabalhar, por isso as pessoas tem muito receio em o fazer. Porque é difícil trabalhar para crianças.

NN: Difícil porquê?
Bety: Porque exige uma enorme responsabilidade e o rigor com os conteúdos a transmitir e a criação da peça tem de ser feita de forma a agarrar a atenção delas durante todo o tempo do espetáculo. Senão for assim cinco minutos após o inicio da peça, terás crianças a brincar à “panhada” dentro do teu espetáculo, para além de pensarmos que podes dramatizar uma criança com uma simples estória mal contada.

NN: Como são as crianças durante um espetáculo?
Bety: As crianças são mais inteligentes e atentas, ao ver um espetáculo, do que um adulto. É um público muito exigente, e não podes cair no erro de a tratar como inferior.

NN: Você se sente recompensada e reconhecida como atriz fazendo teatro infantil?
Bety: Recompensa por ver a alegria das crianças, mas reconhecida como atriz tenho dúvidas quanto a isso.

NN: Profissionalmente, estreou-se no teatro com quantos anos?
Bety: Se estamos a falar de trabalhar como profissionais desde os 22 anos. Mas profissionalmente aos 40 anos.

NN: Porque é que achas que és tão acarinhada pelas crianças?
Bety: Diz-se por aí que eu sou muito infantil, portanto as crianças identificam-se comigo… será?. Ou será pelo facto de eu sempre me esforçar para apresentar um bom trabalho para eles assitirem.

NN: Qual é o segredo do teu sucesso?
Bety: Eu sou uma educadora! O teatro de educação, educa. Só aqui já estou a ganhar.

NN: Como é que lidas com a crítica?
Bety: Uma das primeiras coisas que nós aprendemos na expressão dramática e no teatro, é respeitar as críticas. Mas penso que críticas, positivas ou negativas, ajuda-nos a melhorar em todos os sentidos.

Bety é professora de Educação Artística, ​actriz, monitora de iniciação teatral, bem como animadora cultural e artista plástica, tendo realizado trabalho em diversas áreas com destaque para o teatro, concretamente nas áreas da formação, interpretação, encenação, figurinos e maquilhagem, entre outros, de destacar que possui um vasto currículo no mundo do teatro.

Conheça alguns trabalhos da actriz de teatro, televisão, cinema e artista plástica desde de 1996 a 2018

– Actriz e figurinos e cenário com a peça “Viagem da lua e areia” com o encenador e ator Santiago de Jesus, sobre a vida de Garcia Lorca, um projecto da Cooperação Luxemburguesa.

– Grupo de teatro de Centro Cultural Português (Cabo Verde) – Faz o curso “Cursos de Iniciação Teatral do Centro Cultural Português do Mindelo”. Terminado este curso passa a ser convidada para assistir aos Cursos, coordenados por João Branco;
2003 – É convidada a assumir o cargo de Monitora Efetiva do Curso de Iniciação Teatral do Centro Cultural Português do Mindelo.
Membro do Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do
Mindelo, participa nas seguintes produções teatrais:
1995 – “Sonhos”, colectivo – como actriz; 1995 – “Gin Tónic Surrealista”, a partir de Mário Henrique Leiria – como actriz; 1996 – “O Fantasma de S. Filipe”, a partir de Oscar Wilde – como actriz; 1996 – “A Birra do Morto”, de Vicente Sanchez – como actriz protagonista; 1996 – “As Virgens Loucas”, de Aurélio Gonçalves – como actriz; 1996 – “Mal D’Amor”, de João Branco, como actriz; 1998 – “Romeu e Julieta”, de Shakespeare – como actriz; 1998 – “Mancarra”, colectivo – como actriz; 2004 – “As Três Irmãs”, de Tchecov – como actriz e figurinista. 2005 – “Auto da Compadecida” – como figurinista. 2006 – “Mulheres na Lajinha”, de Germano Almeida – como actriz; 2006 – “O Doido e a Morte”, de Raúl Brandão – como figurinista; 2007 – “Casa de nha Bernarda”, de Garcia Lorca – como actriz; 2008 – “Última Ceia”, de Rui Zink – como actriz e figurinista. 2008 – “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, de Jorge Amado – como figurinista e actriz.

1995 – 2017
Fundadora e Colaboradora permanente do Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact, nas áreas da Produção, Maquilhagem, Cenografia, Figurinos e Formação.

Participações Internacionais no teatro
1996 – 2008
Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), Porto/Portugal, como actriz;
– III Estação da Cena Lusófona, Mindelo/Cabo Verde, como atriz;
– 1ª Edição do Festival Kairos, Açores/Portugal, como atriz;
–I Bienal de Jovens Criadores da CPLP, Mindelo/Cabo Verde, como atriz;
– Ciclo Morrer de Amor, Porto/Portugal, como atriz;
– Festival Internacional de Teatro do Porto, Porto/Portugal, como atriz;
– Festival Internacional ESTA, Estarreja/Portugal, como atriz;
– Digressão ao arquipélago dos Açores, Portugal, como atriz;
– Festival Internacional de Teatro de Tondela, Portugal, como atriz.
– Festival Del Sur, Aguimes, Canárias, Espanha, como atriz;
– Feira das Artes Escénicas, Santiago de Compostela, Espanha, como atriz;
– Festival Internacional de Teatro de Luanda, Angola, como atriz;
2008 – Festival de Teatro Lusófono,Teresina/Brasil, como atriz;

Experiência em Cinema e Televisão
2016 – ” – Os DOIS IRMÃOS”, Longa Metragem, como Decoradora e Figurinista, com o realizador Francisco Manso.
2010 – “Futcera – A Menina dos Olhos Grande”, Longa Metragem, como atriz com o realizador grego Alexis Tsafas – Produções Criola
2007 – “Mindel traz d`horizont”, documentário, como atriz;

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