PAICV acusa Governo de desnorte na área da agricultura e pecuária

16/01/2019 23:23 - Modificado em 16/01/2019 23:23
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No discurso de arranque do debate parlamentar com o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, solicitado pelo PAICV, a deputada Eva Ortet não poupou nos adjetivos para qualificar a situação existente. Esta acusou o executivo de Ulisses Correia e Silva de estar sem visão estratégica para o sector e de não apoiar os agricultores e criadores de gado, após dois anos de seca consecutiva.

 “Desiludidos, desesperançados e desanimados são os únicos adjetivos que atualmente qualificam o sentimento das pessoas que vivem da agricultura e pecuária em Cabo Verde. Ninguém, mas mesmo ninguém, esperava que após os sucessivos ganhos no sector agrícola, na governação anterior, e da visão de futuro projetada na agenda de transformação, o atual Governo do MpD fosse incapaz de dar continuidade a essa visão estratégica e desenvolvimentista do mundo rural” sustenta.

Ortet diz ainda que há um verdadeiro desnorte e não se sabe qual é o rumo deste Governo para este importante sector de desenvolvimento do país, de reforço da coesão social e de combate à pobreza.

O PAICV entende que a visão governativa tem afetado o mundo rural, onde a deputada assume que há um claro desinvestimento no sector agrícola, com impactos sociais negativos.

“Tais impactos negativos far-se-ão sentir, especialmente, na dificuldade de geração de empregos no meio rural e acesso a rendimentos por parte das famílias. Na sustentabilidade e consequente fixação das famílias no campo. No insucesso e abandono escolar, bem como na regressão de indicadores de saúde, pobreza e pobreza extrema” clarificou. A parlamentar afiança que não investir na agricultura significa negligenciar e não proteger as gerações vindouras.

O maior partido da oposição questionou o Governo sobre o destino dos recursos que recebeu da comunidade internacional para socorrer os agricultores e criadores de gado em todas as ilhas.

A UCID, por sua vez, entende que a situação no mundo rural não é das melhores. O líder do partido, António Monteiro, diz que é preciso fazer muito mais e antecipar os acontecimentos.

“As mulheres, os homens e as crianças do campo não estão a viver grandes felicidades. Pelo contrário, vê-se na cara desses cabo-verdianos uma angústia bastante forte. É preciso fazer muito mais e jogar na antecipação, não esperando que as situações tornem-se difíceis para, como bombeiros, corrermos para tentar ajudar”, afirmou.

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