Retirada das obras de Tchalê Figueira da AN agita redes sociais em Cabo Verde

16/01/2019 00:54 - Modificado em 16/01/2019 00:54

Os quadros de Tchalê Figueira retirados esta segunda-feira de uma exposição que decorre na Assembleia Nacional deu lugar, por estes dias, a um intenso debate nas redes sociais. As obras, de referir, de conteúdo erótico, que para alguns é pornografia e não deveriam ser expostas naquele local e para outros é apenas uma demonstração de arte.

O debate sobre a censura das obras de arte e a liberdade de expressão ficou intenso nas redes sociais no início desta semana. Em quase todas as páginas do Facebook do país, o tema tem suscitado diversas reações. Desde de figuras públicas a anónimos, todos têm uma opinião sobre o caso.

O Ministro da Cultura e Industrias Criativas, Abraão Vicente, já se pronunciou afirmando taxativamente que o seu ministério não foi o responsável pela retirada das obras, embora a curadoria da exposição tenha sido feita, através da Direção Geral das Artes e Indústrias Criativas.

Não são de hoje, bem pelo contrário, as manifestações diversas contra a exposição do corpo e a sua utilização/representação na arte. As redes sociais vieram dar uma nova dimensão a esta questão, em particular, o Facebook. Entretanto, ao longo dos séculos e da história da arte, a nudez/erotismo sempre foi motivo de muitas polémicas. Em pleno séc XXI casos como este, que abordam abertamente a sexualidade são, ainda, tratados, por vastos sectores da sociedade, como um tema tabu.

“A erotização está relacionada ao desejo da descoberta. E o nosso corpo não pode ser motivo de vergonha. Toda a gente sabe que nascemos nus e o sexo não deve ser tratado como se fosse um sortilégio. Devemos refletir e começar a educar os nossos meninos e meninas para vida, sem complexos para evitar complicações futuras”, diz um internauta.

Opinião contrária tem outro internauta que afirma que a “verdadeira arte não precisa fazer apelações sejam elas sexuais ou não, se assim faz é porque a mente de quem as faz e se diz artista deve estar poluída pelo tema explorado e confunde as coisas, rebaixando ou humilhando a arte”, acusa, afirmando que foi uma boa decisão a remoção das obras da exposição.

Um outro internauta, não questionando a qualidade e o conteúdo das telas, questiona sim o local onde as mesmas se encontravam expostas. É que ao retirá-las, dois dias depois, “a emenda saiu pior que o soneto, caindo os responsáveis pela decisão num puro acto de censura. Seja qual for a justificação que mais dia menos dia venham dar”.

Outros dizem que não entendem qual é o espanto já existem “coisas muito piores no nosso país” de que realmente criticar um trabalho de um excelente pintor. E parabenizam o artista pela ousadia de levar “uma obra tão polémica como essa a uma exposição pública na AN e que em vez gastarem tempo com esta história deveriam canalizar esta energia educando as crianças sobre a necessidade de uma educação sexual, como tratar o outrem, entre outros assuntos”.

“Não vejo razão para todo este excesso de pudor numa manifestação artística natural. Se a questão é por estar a exposição no Parlamento, devo dizer que daí, dessa casa do povo, saem quase todos os dias, as piores voluntarezas que se produz nesta terra, com todo o respeito pelas pessoas de bem que aí estão”.

Quando assunto sexo vem ao público, é visto como um tema tabu, e por isso criticam o facto da remoção das obras de arte, nem que digam que isso é errado e isso é certo. “Estão a fazer uso do poder que têm para vetar a arte”, acrescenta outro internauta.

  1. Carlos Drummond

    O que muitos não devem ter compreendido é que com tal acto Tchale conseguiu um reclame de milhões de escudos sem lhe ter custado um centavo.
    Marketing em óptima forma

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