Pessoas mais velhas tendem a publicar mais notícias falsas no Facebook

14/01/2019 13:30 - Modificado em 14/01/2019 13:31

Pessoas mais velhas tendem a publicar mais notícias falsas no Facebook em comparação com as gerações anteriores, segundo uma investigação publicada na revista “Science”.

Independentemente da classe social, da educação, do género, idade, etnia ou até mesmo da quantidade de conteúdo que partilham, os cidadãos com mais idade são os que mais partilham notícias falsas no Facebook, nos Estados Unidos. A conclusão é de um estudo levado a cabo por investigadores das universidades de Nova Iorque e Princeton, publicado na revista “Science” e reportado pelo “The Guardian”, segundo o qual os norte-americanos com mais de 65 anos são os mais influenciados por este tipo de conteúdos.

Pessoas com mais de 65 anos, que tiveram acesso à Internet mais tarde, partilharam mais do dobro de notícias falsas do que a geração anterior (45 a 65 anos) e cerca de sete vezes mais do que a faixa etária entre 18 e 29 anos.

A influência das notícias falsas no comportamento dos norte-americanos tem sido debatida continuamente desde a campanha eleitoral de 2016, que culminou na vitória inesperada de Donald Trump sobre Hillary Clinton. O estudo em causa examinou o comportamento dos utilizadores do Facebook nos meses anteriores e posteriores à eleição presidencial.

Os investigadores analisaram a atividade de cerca de 1750 adultos norte-americanos e descobriram que a maioria dos utilizadores não partilhou artigos provenientes de domínios de notícias falsas em 2016, enquanto 8,5% dos participantes do estudo partilharam pelo menos um link de um domínio de conteúdo duvidoso, como o “denverguardian.com”, o “truepundit.com” e o “donaldtrumpnews.co”. Esses três sites, juntamente com outros 18, compunham a lista de sites com histórias “intencionalmente ou sistematicamente inexatas”, que os investigadores categorizaram como notícias falsas.

Mas dessa pequena amostra, que partilhou conteúdos de 21 domínios “pró-Donald Trump”, houve claras diferenças. Cerca de 18% de utilizadores republicanos partilharam pelo menos um link de um site de notícias falsas, por oposição a menos de 4% de democratas. Quanto mais conservador um utilizador era, mais artigos partilhava – uma descoberta atribuída ao facto de a maior parte de notícias falsas, em 2016, serem pró-Trump e à “tendência de os utilizadores partilharem artigos com os quais concordam”.

Aqueles utilizadores que partilhavam mais conteúdo tendiam a partilhar menos notícias falsas, sugerindo que o problema não passa pelo facto de “algumas pessoas partilharem tudo”, concluiu o estudo. Pelo contrário, pessoas que partilhavam mais conteúdo eram mais informadas e capazes de distinguir o que é verdade do que é falso.

“Como a maior geração da América se aposenta num momento de mudanças demográficas e tecnológicas, é possível que uma faixa inteira de americanos, agora com mais de 60 anos, não tenha o nível de alfabetização em média digital necessário para garantir a confiabilidade e determinar a confiabilidade das notícias encontradas online”, consideraram os estudiosos.

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