Curdos, um povo sem Estado em busca de reconhecimento

27/12/2018 14:52 - Modificado em 27/12/2018 14:53
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Os curdos são um povo sem Estado que está distribuído sobretudo pela Turquia, Iraque, Irão e Síria, onde correm o risco de ser abandonados pelos seus aliados com a retirada das tropas norte-americanas do país.

Serão entre 25 e 35 milhões de pessoas, que ocupam uma zona de perto de meio milhão de quilómetros quadrados.

De origem indo-europeia, os curdos descendem dos medos da antiga Pérsia, que criaram um império no século VII AC, sendo na maioria muçulmanos sunitas, com minorias não muçulmanas e formações políticas frequentemente laicas.

Daquele total, que varia segundo as fontes, o maior número vive na Turquia (cerca de 20% da população do país), representando no Iraque 15 a 20% dos habitantes, na Síria 15% e no Irão cerca de 10%.

Vivem em áreas do interior e conseguiram preservar os seus dialetos, tradições e um modo de organização sobretudo de clã.

Importantes comunidades curdas vivem também no Azerbaijão, Arménia e Líbano, assim como na Europa, nomeadamente na Alemanha.

A queda do império otomano, depois da I Guerra Mundial, abre caminho à criação de um Estado curdo, previsto pelo Tratado de Sèvres em 1920 e situado no leste da Anatólia (Turquia) e na província de Mossul (Iraque).

Mas após a vitória de Mustafa Kemal na Turquia, os aliados recuam na sua decisão e, em 1923, o Tratado de Lausanne consagra a dominação das populações curdas pela Turquia, Irão, Reino Unido (no caso do Iraque) e França (pela Síria).

Na Síria, as Unidades de Proteção Popular (YPG), têm sido desde 2014 uma das principais forças no combate ao grupo extremista Estado Islâmico, com o apoio aéreo da coligação internacional conduzida pelos Estados Unidos.

Em outubro de 2017, as Forças Democráticas Sírias, dominadas pelas YPG, expulsaram o grupo ‘jihadista’ de Raqa (norte), a sua ‘capital’ de facto, e continuam a combater as suas últimas bolsas no leste.

No Iraque, os combatentes curdos ‘pershmergas’ também tiveram um importante papel na luta contra os ‘jihadistas’.

Reivindicando a criação de um Curdistão unificado, os curdos são vistos como uma ameaça à integridade territorial dos países onde estão instalados.

Na Síria sofreram décadas de marginalização e opressão por parte do regime. Adotaram uma posição de “neutralidade” em relação ao poder e aos rebeldes no início do conflito em 2011, antes de beneficiarem do caos gerado pela guerra e instaurarem uma administração autónoma nas regiões do norte.

Na Turquia, o conflito entre o governo e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que recomeçou no verão de 2015, causou mais de 40.000 mortos desde 1984.

Ancara, que já realizou duas ofensivas na Síria, em 2016 e início de 2018 para afastar da fronteira os ‘jihadistas’ do Estado Islâmico e os combatentes das YPG, ameaça novamente os curdos com uma ofensiva.

No Iraque, os curdos foram perseguidos por Saddam Hussein e revoltaram-se em 1991 após a derrota de Bagdad no Kuwait, tendo instaurado uma autonomia de facto, legalizada pela Constituição iraquiana de 2005, que instaurou uma república federal.

Em setembro de 2017, os curdos votaram em massa pela secessão, contra o conselho de Bagdad e da comunidade internacional. Em represália, o poder central iraquiano retirou-lhes as zonas disputadas.

No Irão, vários atentados têm sido atribuídos pelas autoridades aos rebeldes curdos, que terão bases de retaguarda no Iraque. Após a revolução islâmica de 1979, ocorreu uma revolta curda que foi duramente reprimida.

Os curdos estão divididos em numerosos partidos e fações espalhadas por todos os quatro países.

Por Lusa

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