Segundo dia da ACP : “Inspetores da PJ mantém as declarações feitas no julgamento”

14/12/2018 00:08 - Modificado em 14/12/2018 00:08
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O segundo dia da Audiência Contraditória Preliminar (ACP) ficou marcado pela audição dos inspectores da Policia Judiciária. Os agentes que fizeram a vigilância e os que fizeram a abordagem dos arguidos, tanto na estrada Baía da Gatas – Mindelo, como os tripulantes do veleiro que segundo a tese da acusação  transportou  a droga, durante a operação em que a PJ deteve, em flagrante delito, seis homens, três deles espanhóis.

Os inspectores da Polícia Judiciária do Departamento de São Vicente, reafirmaram esta quinta-feira, 13 Dezembro, ao tribunal, que só tomaram conhecimento da operação, que resultou na apreensão de 521 quilogramas de cocaína, nas vésperas do transbordo e que não sabiam da localização exacta da praia é que iria decorrer a operação e por isso montaram dispositivos de vigilância nas imediações das praias do norte, que eram as visadas.

Um ponto que os advogados de defesa consideram essencial. É que em nenhum momento, os agentes da PJ afirmaram terem feito vigilância na praia de Salamansa, mas sim perto do entroncamento da entrada que dá acesso à estrada da localidade. Um ponto que foi bastante esmiuçado pela defesa que diz que existe contradições entre alguns agentes, sobre este instante.

Elton Santos, inspector-chefe da PJ que participou na apreensão da droga e detenção dos arguidos, questionado sobre como que procedeu a vigilância, no momento que antecedeu a abordagem, disse que não fazia parte da equipa de vigilância, mas sim da equipa táctica de abordagem. Disse ter sido informado pela equipa de vigilância que uma viatura (um das viaturas dos visados) vinha no sentido de Salamansa para a cidade em alta velocidade, tendo procedido à perseguição e a abordagem da viatura do José Vilalonga, espanhol, que não foi detido na posse de droga, mas sim na posse de uma arma de calibre 6:36, depois de terem feito a revista .

Em relação às outras duas viaturas, receberam por comunicação radiofónica que o outro carro, conduzido por Ariel Benites, já estava a caminho e era preciso fazer a intervenção. Logo após surgiu a outra viatura conduzida por Alexandre Borges. Foram nessas duas viaturas que encontraram os 521 quilogramas de cocaína, droga essa que se encontravam dissimulada em 19 sacos de viagens, sendo que cada pacote pesava cerca de um quilograma.

Depois de feitas as detenções, os agentes rumaram para a cidade, visto haver a possibilidade da embarcação que alegadamente fez o transbordo ir para a Marina do Mindelo. Local onde viria a ser encontrada, depois de ter dado entrada no local já depois da meia-noite.

Por seu lado, a inspectora Cátia Lima afirma que a sua equipa estava posicionada na imediações da saída de Salamansa, num local onde fosse possível ver com clareza as viaturas que vinham neste sentido. Feitas as identificações e o trabalho de seguir as mesmas, o trabalho de abordagem ficou para outra equipa.

Por outro lado, os restantes agentes que faziam parte tanto das equipas de vigilância como de abordagem reiteraram as declarações dos colegas e alguns afirmaram não se lembrar de alguns detalhes.

No entanto, os que participaram nas buscas ao veleiro são unânimes em garantir que não foram encontrados nenhuns vestígios de estupefacientes na embarcação.

O caso que remonta a 05 de Novembro de 2014, quando a Polícia Judiciária (PJ) apreendeu 521 quilogramas de cocaína proveniente, alegadamente, de um transbordo na praia de Salamansa, em São Vicente, os envolvidos, na altura indicaram que estavam “na hora errada e no local errado”, apesar de terem sido detidos em flagrante delito na posse da mercadoria.

Na operação denominada de “Perla Negra”, a PJ deteve, em flagrante delito, na estrada do Lameirão quatro indivíduos do sexo masculino e mas dois na cidade. Quatro deles residentes nesta cidade, todos com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos: três de nacionalidade espanhola – Juan Bustus, José Villalonga e Carlos Ortega – um cubano, Ariel Benitéz, um suíço, Patrick Komarow, e o cabo-verdiano Alexandre Borges, também conhecido por “Xande Badiu”.

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