Porto Novo: Mau ano agrícola começa a asfixiar os criadores de gado que começam a vender os seus animais a baixo custo

11/12/2018 01:10 - Modificado em 11/12/2018 01:10
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 Perante mais um ano de seca no concelho do Porto Novo, cujos efeitos são cada mais visíveis, os criadores de gado deste município de Santo Antão, dizem estar a desfazer-se dos seus animais “ao desbarato”.

Dadas as dificuldades na aquisição de ração, devido a ausência das chuvas que não voltaram a cair este ano para o desespero dos criadores de gado do Planalto Norte, onde existe um efetivo pecuário de cerca de 23 mil cabeças de gado, alguns pastores confirmaram a Agencia Cabo-verdiana de Noticias que estão a vender os seus animais, a qualquer preço.

Abordado pela Inforpress, um dos criadores afirmou ter vendido, ultimamente, 20 cabras por vinte mil escudos, ou seja, a apenas mil escudos/cada, para comprar ração para as restantes que ainda possui. Caso contrário correria o “sério risco” de perder todo o seu efetivo.

Nos arredores da cidade do Porto Novo, onde se centraliza uma parte importante do efetivo pecuário deste concelho, alguns criadores, com dificuldades para salvar os seus animais, estão a vender os seus animais a um preço muito reduzido, isto segundo a associação dos criadores.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, numa visita na semana passada ao Planalto Norte, foi confrontado pelos criadores em Bolona que, também, dizem estar já a vender parte dos seus animais “ao desbarato”.

É o caso do criador Romão Amador que diz ter vendido perto de duas dezenas de cabras a apenas mil escudos por cabeça, perante as dificuldades para as salvar.

Um outro criador, das imediações do Campo Redondo, disse à Inforpress ter sido, também, obrigado, a vender igual número de cabeças de cabras por 30 contos, ainda assim a “um preço muito baixo” do pretendido.

Além de dificuldades na compra de ração, saliente-se que o programa de salvamento do gado foi concluído em Outubro e os criadores desse planalto dizem enfrentar ainda problemas na aquisição de água.

Nos contactos mantidos, sexta-feira, com deputados nacionais por Santo Antão, eleitos pelo Movimento para a Democracia (MpD – poder), os criadores de gado do Planalto Norte voltaram a clamar pelo apoio do Governo para o salvamento do efetivo pecuário nessa zona, onde mais de 60 famílias vivem, exclusivamente, da pecuária.

Os criadores de gado insistem na necessidade do executivo os acudir com ração para salvar os seus animais. Uma preocupação que já tinha sido levantada, em Novembro, pela própria associação de criadores do Planalto Norte, que pediu “urgência” no auxílio às famílias cujo sustento depende da criação de animais.

Jorge Santos, citado pela mesma fonte, admitiu, que se está, “de facto, perante mais um ano de seca e de muitos cuidados, em que não há pasto para o gado”, pelo que é preciso, a seu ver, “encontrar soluções para diminuir o sofrimento das populações”.

 Segundo Jorge Santos o Governo já anunciou um plano de emergência, tendo em conta a ocorrência de mais um mau ano agrícola em algumas ilhas do país, o qual traz “um conjunto de ações para mitigar os efeitos da seca”, esperando que, a partir de Janeiro, com o novo Orçamento do Estado essas medidas sejam implementadas.

O presidente da câmara do Porto Novo, Aníbal Fonseca, já tinha alertado para as dificuldades acrescidas que este ano de seca, o segundo consecutivo, traz para mais de 500 famílias neste concelho vivem da pecuária.

O Governo, segundo o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, vai precisar de 600 mil contos para mitigar os efeitos da seca em algumas ilhas do arquipélago, como é o caso de Santo Antão.

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