A segunda janela partida de Ulisses em São Vicente

11/12/2018 00:53 - Modificado em 11/12/2018 00:53
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Há um ano, em julho de 2017, tinha escrito o artigo que hoje volto a publicar sem alterar nada. Pois em relação a São Vicente as coisas repetem-se com os erros do passado.

A mudança é que em 2017 o foco era a má gestão que o primeiro – ministro fez da construção do Campus da UNICV na cidade da Praia. Em particular a comunicação, como abordou esse tema publicamente

 Hoje é a má gestão que o PM faz do cancelamento dos voos da TACV para São Vicente. E outra vez a comunicação, como abordou esse assunto publicamente. Nenhum primeiro – ministro, mesma que tenha razão, pode dizer que  “a retoma dos voos internacionais a partir de São Vicente, à semelhança do que já acontece com a Cidade da Praia, não é uma decisão administrativa ou política do Governo.” Isso tem o mesmo efeito que um elefante a passear numa loja de porcelanas. Pode parecer politicamente correcto o Governo passar a ideia, mormente quando está a vender a empresa, que não interfere na gestão das empresas. Mas é politicamente incorreto e desastroso lavar as mãos de um problema que requer uma intervenção política, atirando a responsabilidade para a gestão de uma empresa que ainda é do Estado. No dia 16 deste mês centenas de mindelenses vão sair à rua para exigir o regresso da ligação área dos TACV, vamos constatar que em democracia cada janela partida na sua fachada é um convite a uma nova pedrada.

ES

Comentário

Uma janela com um vidro partido pode indicar uma casa abandonada, um dono descuidado. Essa janela com o vidro partido é um convite para atirar com uma pedra à janela do lado. E já são duas janelas com os vidros partidos. Duas janelas partidas não podem ser  um acaso, pensa a terceira pessoa que atira uma pedra para outra janela. Três janelas quebradas são um convite a fazer uma pichagem. Uma pichagem leva a forçar a porta. Uma porta aberta leva a que se levem os móveis da casa e assim sucessivamente

Na democracia passa-se o mesmo. Deixas que alguém viole as regras e essas regras deixam de ser válidas para o seguinte. Deixas que alguém minta sem que tenha consequências e ele fará da mentira uma estratégia. A Democracia é uma grande ideia, mas há que defende-la todos os dias: cada janela partida na sua fachada é um convite a uma nova pedrada.

E nesta situação que o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva se encontra em relação a São Vicente. E ontem milhares de mindelenses saíram á rua e ocuparam a casa que já tinha as janelas partidas, a porta arrombada e moveis destruídos. E agora?

Durante a campanha eleitoral Ulisses e a sua equipa denunciaram o estado em que São Vicente se encontrava: igual a uma casa com janelas partidas, a porta arrombada e móveis destruídos .Abandonada.

Durante os 14 meses de governação assistiu-se a um novo atirar de pedras e quebra de janelas contra a ilha de São Vicente. E Ulisses e o seu governo nada fizeram. Ignoram, Não agiram. E o pior foi ter lançado a primeira pedra da construção do Campus Universitário da UNICV ignorando que seria mais uma pedrada contra São Vicente. E pior: sem uma estratégia de comunicação. Fê-lo pensando que a culpa era do outro e que nada se passaria. Quando se apercebeu que ele próprio tinha atirado mais uma pedra a casa abandonada veio a correr para São Vicente com um pacote de realizações. A emenda foi pior que o soneto. Ulisses não agiu, reagiu. E milhares de mindelenses disseram basta!

Ulisses defende-se dizendo que não se pode pedir que em catorze meses o governo resolva todos os problemas de São Vicente. Ninguém lhe pediu isso a não a ser a Presidente do PAICV. O que se lhe pedia era que explicasse por que não estava a fazer o que prometeu no programa eleitoral para São Vicente. Ninguém, de bom senso, lhe pediu que anulasse a construção do Campus Universitário da UNICV na Praia, já decido pelo anterior governo. Apenas aqueles que insistem em ser o cavalo onde a loucura se manifesta.

Mas que explicasse como se enquadra essa centralização da UNICV numa única ilha no programa de quem defendeu a descentralização e a regionalização como a menina dos olhos. Defendeu tão bem que absorveu o programa dos defensores da Regionalização e as tréguas para implementar o que prometeu.

Mas a forma como Ulisses conduziu a questão da centralização da UNICV na cidade da Praia dividiu São Vicente e Praia. Mesmo aqueles que defendem as suas posições já lhe disseram que o processo foi mal conduzido. Mas, como iluminados seguem em frente, como se tudo e todos estivessem de acordo com o que conceberam e na qualidade de seres superiores ninguém pode discordar deles, melhor: acham que ninguém discorda deles. Mas não é verdade. E ontem milhares de mindelenses deram a resposta. Não são apenas os “ escribas bairristas de sempre” e “ meninos desocupados das redes sociais a mostrar que “. A Democracia é uma grande ideia, mas há que defendê-la todos os dias: cada janela partida na sua fachada é um convite a uma nova pedrada.”

Milhares defenderam a democracia na Ilha de São Vicente. Deixaram claro que não permitirão pedradas sem que aja acção.

Eduíno Santos

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