Assédio não é conquista. É crime: conhecer para prevenir

27/11/2018 00:21 - Modificado em 27/11/2018 00:21
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 Apesar de diversas informações, queixas inclusive, este é um tema ainda pouco abordado no seio da sociedade cabo-verdiana. Por isso é importante demonstrar, sobretudo às jovens, as fronteiras da conquista e do assédio, bem como apresentar o enquadramento legal do crime e os mecanismos legais para as vítimas deste crime.

Diariamente, não só em Cabo Verde, mas em todo o mundo, mulheres sofrem com ofensas e comentários inadequados, que, por vezes, acontecem disfarçados de elogios de forma grosseiros feitos por alguns homens.

Entretanto, basta referir que estas abordagens, o assédio, se refere, normalmente, apenas ao assédio moral e verbal, não compreendendo actos de violência física e nem sexual.

De acordo com as denúncias, quando isso acontece, sobretudo as mulheres se sentem intimidadas de reagir para se defender, com medo de sofrerem uma agressão física.

Pode ser tanto no trabalho, na rua, entre amigos e até em casa as pessoas sofrem os mais diversos tipos de assédio.

A líder o Movimento Cívico, “Eu por Elas, Elas Por Mim”, Natacha Magalhães, diz que nas estatísticas de crimes de natureza sexual nota-se que o assédio não tem muita expressão no rol das denúncias. Só que tal não significa que o assédio não seja prática comum aqui no posso país. “O problema é que sendo um tema tabu e muitas vezes difícil de provar, as vítimas acabam por ficar no silêncio, permitindo que o assediador continue com esta prática”, disse.

Por isso o objetivo do Movimento Cívico e de advocacia pela igualdade de género “Eu por Elas, Elas Por Mim é despertar as pessoas para esse assunto e romper com esse silêncio e falsa de informação que muitas vezes leva as mulheres a confundirem o assédio com a conquista.

“Portanto é explicar quais são os limites de um e do outro também aos jovens, pôr as universitárias a falarem deste tema que ainda é tabu”, assegura.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) os danos à saúde das mulheres que sofrem assédio sexual são devastadores.

“Vítimas de assédio sexual sofre de sintomas psicológicos como sentirem-se frágeis, culpadas, sofrerem de insónia, tensão, raiva e depressão, assim como sintomas biológicos como dores de cabeça, dores musculares, ânsia e vômito, pressão alta, mudança de peso e fadiga”, esclarece a OIT.

Além disso, o assédio sexual pode ocasionar a perda do emprego, tendo em vista que na maioria das vezes as mulheres se vêm forçadas a se demitirem.

O Movimento Cívico e de Advocacia pela Igualdade de Género “Eu por Elas, Elas Por Mim” promoveu, na Cidade da Praia, uma conversa aberta sobre a questão do assédio.

De acordo com a organização, o evento esteve enquadrado nas celebrações do Dia Internacional pela Erradicação da Violência contra as Mulheres, assinalado domingo, 25 de Novembro, e nos “16 Dias de Activismo em prol do fim da violência contra mulheres e meninas”.

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