Ser filho de pai incógnito tem um peso social considerável

4/11/2018 21:50 - Modificado em 4/11/2018 21:50
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 São muitos os casos de crianças cujo nome paterno não consta da certidão de nascimento. Muitos não querem assumir as suas responsabilidades e, por isso no registo constam apenas filho/a de mãe solteira.

O pai? Por diversos motivos negam registar as crianças depois de terminar a relação, ou pelo facto dos pais serem estrangeiros ou da mãe ser casada com outro homem e o bem comum desinteresse dos pais e ausência do pai.

Quanto às razões para os pais não registarem os seus filhos, muitas mães avançam a justiça de Cabo Verde que desde há muito tem sido tomadas algumas providencias no sentido de mudar o cenário e passar a ter mão mais dura para os que fogem às suas responsabilidades como progenitores.

Muitos das situações, actualmente, algo que as mães mais novas passam e isso irá reverter no crescimento da criança, que cresce sentindo-se rejeitado, afirmam psicólogos e que isso pode ter, ou não consequências futuras.

O caso de Marinela, nome fictício, nascida em 2017, terceira filha de “Maria” não tem o nome do pai na certidão, porque o namorado na altura negou a paternidade da criança, alegando que esta não era sua e por isso, não iria registar e criar a filha de outro homem. Uma situação, que abalou a jovem mãe de 24 anos, que vive numa situação precária com falta de condições para criar os filhos e que deparou-se com uma situação que não estava a espera quando engravidou.

Entretanto diz que muitas vezes exigiu o pai da criança a assumir as suas responsabilidades tendo-o ameaçado com o tribunal caso não o fizesse. O ex-namorado, conta “Maria” que diz que para isso ela teria que provar a veracidade das suas declarações e se quisesse teria que pedir um teste de paternidade, algo que não consegue fazer.

“Maria” foi mãe e registou o bebé sozinha. A gravidez não foi planeada, mas era fruto de uma relação que considerava estável. O ex-companheiro saiu de casa, nunca perguntou pela filha e Marinela acabou registada sem o nome do pai.

São muitos os casos idênticos a esta situação, e que estão a espera do tribunal e tem revelado uma grande irresponsabilidade social por parte de alguns homens, jovens que negam este direito fundamental a todo o ser humano, que é o de ter o nome de ambos os pais no registo de nascimento e que não acontece pela questão financeira, ou seja a pensão que são obrigados a dar por lei e que muitos, também não respeitam.

Não ter o nome de um pai tem impacto na criança?

Uma criança que cresce com o desconforto de expor o seu documento identificativo, de ouvir comentários recorrentes por terceiros, que não tenha sido informada progressivamente pode ter dificuldades acrescidas no processo de socialização, gerando sentimentos de rejeição. Ser filho de pai incógnito acarreta um peso social considerável associado ao estigma da ilegitimidade de não se reconhecer o filho ou até mesmo envergonhar-se de o ter tido.

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