Júlio Correia “O comunicado da CPN falha no compromisso com a verdade“

1/11/2018 22:46 - Modificado em 1/11/2018 22:46

Num post na sua pagina do Facebook , o militante do PAICV, Júlio Correia  considera que o comunicado do Conselho Nacional do PAICV “foge em toda a linha ao compromisso com a verdade. Obtuso simplesmente.”

Transcrevemos o post na íntegra

 “Verdade e liberdade”

Acabo de ler o Comunicado da Comissão Política do PAICV em relação à aprovação parlamentar, na generalidade, do diploma sobre a regionalização. Este comunicado, da comissão política, foge em toda a linha ao compromisso com a verdade. Obtuso simplesmente.
Faz um esforço enorme de perseguição aos deputados do PAICV que votaram a favor do diploma, faltando gritantemente com a verdade quando induz ter havido a construção da vontade do Grupo Parlamentar pela abstenção em relação ao sentido do voto. Na verdade houve deputados que mesmo na reunião prévia a poucas horas do voto que declararam a sua liberdade do voto e aqueles que defenderam que, em matérias fraturantes, o Grupo deveria pautar pela liberdade do voto, isto é o voto em consciência. Falta o comunicado ao compromisso com a verdade quando, para justificar a perseguição, procura induzir que alguns deputados quebraram um consenso que não existiu e traíram uma causa que não estava devidamente socializada no seio do Grupo e do próprio partido. Falta ainda ao compromisso com a verdade, quando incorre à falácia de que o partido se confronta com a regionalização a partir de 2016, quando esta questão vem sendo discutida desde 2002.
O PAICV e os Governos anteriores fizeram várias discussões sobre o assunto e pelo menos duas conferências internacionais foram realizadas, mas manteve-se sempre o debate em aberto por ser matéria complexa e fraturante, exigindo diálogo alargado, consenso necessário e, sobretudo, atitude democrática já que o que se pretende mesmo é a mudança do desenho do Estado Cabo-verdiano. O Comunicado da Comissão Política, no qual não me revejo e com o qual me demarco, no exercício da minha liberdade e da minha cidadania, incorre também à discriminação no tratamento dos militantes e dos deputados da Nação, sendo intolerante com uns e tolerante com outros, posicionando-se de forma gritante contra aqueles que se afastaram do dirigismo que tende a fazer escola no partido.
Ora vejamos: Os votos em consciência surgiram dos deputados Odailson Bandeira e Filomena Vieira, ambos eleitos nas listas pelos círculos eleitorais de Santo Antão e S. Vicente, respectivamente e do deputado José Maria Gomes da Veiga (júnior) eleito na lista pelo círculo de Santiago Norte. Tanto os deputados Odailson Bandeira e Filomena Vieira, que votaram sim, como o deputado José Maria Gomes da Veiga júnior que votou contra , exerceram um direito constitucional e argumentaram, com denodo e clarividência, os sentidos dos seus votos. Os que não compareceram também tomaram posições conscientes. O que leva a Comissão Política a só deplorar os votos em consciência dos deputados Odailson Bandeira e Filomena Vieira? Porque a comissão política ficou incomodada com os que optaram por não comparecer? O que leva esta instância de representação partidária a silenciar do voto em consciência do deputado José Maria Gomes da Veiga junior, que aqui referencio com estima e consideração? Estará a Comissão Política que se pretende democrática e ciosa das leis e dos regimentos, a querer dizer que apenas os que votam em consciência e não os que recusaram a votar sejam traidores e que devam entregar o seu mandato ao Partido? Sem medo de purgas, abusos e posturas antidemocráticas, são estas as minhas questões para o começo de conversa, conversa esta que merece ir longe, ser séria e consequente. Recordo que esta questão não é apenas fraturante no interior do PAICV. É fraturante na sociedade cabo-verdiana e o PAICV é de Cabo Verde. António Guterres enquanto primeiro ministro de Portugal e a quando do referendo sobre uma matéria fraturante na sociedade Portuguesa, como era a questão sobre o aborto, ordenara liberdade de voto. Os Partidos democráticos funcionam desta forma. Temos de conversar claramente com os militantes para a saúde democrática do PAICV. É urgente e antes que entremos, por clara irresponsabilidade do dirigismo e do arrivismo, a um ponto de não retorno. Tenho dito. “

 

https://www.facebook.com/julio.correia.90/posts/2261135060595309

  1. Nelson Cardoso

    Muitos já estiveram e não lhes interessa o futuro porque o futuro eles já tem. Hoje todo mundo é ou quer ser democrata.
    Há sim um ataque à liderança de JHA e nem diz o contrário. E pk são somente aqueles que pertenciam aà outra ala agiram assim?
    Digam tudo.
    repito: Muitos já estiveram e não lhes interessa o futuro porque o futuro eles já tem. não interessa como vai ficar o partido.

  2. Gregorio Gonçalves

    Bem, alías, pensando melhor, essa gente experimentada, tanto o Julio como o Filú, perderam por completo a noção da “liberdade”, ou melhor, do conceito de “liberdade”. E o que menos me faz acreditar que são na verdade “sociólogos” experimentados. Da mesma forma, quando se fala de “grupo”, fala-se de uma “vontade” que só pode ser dado pela “consciência” de “democracia, ou seja, impera a vontade da maioria. E num grupo só se dá a liberdade de ação para cada indivíduo quando há entendimento em que é definido o limite pelo próprio grupo – ninguém num grupo deve agir sozinho sem que lhe seja atribuida a liberdade para tal, caso contrário, é um fura-sistema e deve deixar o mesmo grupo com o qual não se define. Só troça

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