Arábia Saudita admite que morte de Jamal Khashoggi foi premeditada

26/10/2018 00:25 - Modificado em 26/10/2018 00:25

Informação foi avançada através de comunicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita.

Naquilo que é mais uma reviravolta nas já inconsistentes explicações dadas por Riade para o caso de Jamal Khashoggi, o procurador-geral saudita admite que a morte do jornalista foi uma operação planeada, contradizendo a versão anterior, em que diziam ter-se tratado de uma altercação dentro do consulado e que o encobrimento fora feito em reação a esse “acidente”.

Esta informação foi avançada através de comunicado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, que acrescenta que a conclusão deve-se à análise de informações enviadas pela Turquia, indica o Guardian.

A Arábia Saudita, sublinhe-se, só admitiu que o jornalista foi morto nas instalações do consulado em Istambul vários dias depois de ter sido dado como desaparecido. Até aí, mantiveram que Khashoggi saíra vivo das instalações, tendo sido inclusive noticiado esta semana a existência de um “duplo” que saiu do local envergando as roupas do jornalista.

Estas inconsistências na versão dos factos não estão a ser bem recebidas nem pela Turquia nem pela comunidade internacional, que nesta altura pede a descoberta e responsabilização do autor de uma operação deste calibre. A coroa saudita, representada pelo rei Salman e o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, é alvo de fortes pressões para o apuramento de todos os factos, uma vez que vários indícios apontam para o seu envolvimento.

Paralelamente, esta quinta-feira foi noticiado que o filho mais velho do jornalista saudita, Salah Khashoggi, conseguiu sair do país de avião na quarta-feira. Não foi revelado o seu destino ou outros detalhes sobre a partida. Sabe-se que Salah, que tem cidadania americana, estava proibido de deixar a Arábia Saudita.

Jamal Khashoggi, recorde-se, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro, para obter um documento para se casar com uma cidadã turca e nunca mais foi visto. No mesmo dia em que o jornalista desapareceu, entraram em Istambul, em dois aviões, 15 sauditas identificados como membros da Guarda Real saudita.

Suspeita-se que estes terão estado envolvidos na morte de Khashoggi, que era uma das vozes mais críticas do poder em Riade, nomeadamente do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. O jornalista colaborava com o jornal The Washington Post e residia nos Estados Unidos desde 2017.

 

Fonte: Notícias ao Minuto

  1. Leia o artigo intitulado “Islamismo político…” publicado hoje no A Nação para poder entender este homicídio

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.