Procuradora-geral de Nova Iorque processa ExxonMobil

25/10/2018 00:02 - Modificado em 25/10/2018 00:02
| Comentários fechados em Procuradora-geral de Nova Iorque processa ExxonMobil

A procuradora-geral do estado de Nova Iorque processou hoje a ExxonMobil, argumentando que o grupo energético texano enganou os investidores quanto aos riscos que as alterações climáticas colocam às suas operações.

Oprocesso apresentado pela procuradora-geral Barbara Underwood é o mais recente de uma série de processos apresentados contra o grupo, acusado de esconder informação aos investidores e ao público sobre as alterações climáticas.

Na queixa argumenta-se que a ExxonMobil, um dos maiores grupos energéticos do mundo, atraiu investidores, entre os quais fundos de pensões públicos, com informação incorreta, garantindo-lhes que estava a contar no seu planeamento com regulações apertadas sobre as suas emissões de gases com efeito de estufa quando, de facto, fez muito menos do que proclamou.

“A Exxon construiu uma fachada para enganar investidores, levando-os a acreditar que estava a gerir os riscos da regulação associada às alterações climáticas quando, de facto, os estava intencional e, sistematicamente, a subestimar ou ignorar, ao contrário das suas declarações públicas”, afirmou Barbara Underwood, em comunicado.

A ExxonMobil pretende refutar as acusações e obter a anulação do processo, afirmou hoje o seu porta-voz Scott Silvestri.

“Estas alegações sem fundamento são o produto de ações de ‘lobbying’, feitas à porta fechada por interesses especiais, de oportunismo político e da incapacidade da procuradora-geral de admitir que uma investigação de três anos não descobriu qualquer má prática”, afirmou Scott Silvestri, em texto distribuído por correio eletrónico.

O processo culmina três anos de investigação pelos serviços de Underwood e uma iniciativa similar no estado do Massachusetts.

A ExxonMobil já processou os procuradores-gerais destes estados, por estes terem intimado a apresentação de documentos relativos à pesquisa feita pelo grupo energético sobre o papel dos combustíveis fósseis nas alterações climáticas, considerando as suas investigações como politicamente motivadas e acusando-os de lhe procurarem retirar o direito à liberdade de expressão.

Um juiz federal rejeitou a pretensão da energética.

A procuradora-geral do estado de Nova Iorque quer também que a ExxonMobil corrija afirmações enganosas e garanta restituições aos acionistas. Dois dos fundos de pensões públicos nova-iorquinos possuem ações da ExxonMobil com um valor de 1,5 mil milhões de dólares, detalhou Underwood.

Grupos de consumidores e ambientalistas elogiaram o processo, considerando-o um passo significativo para lidar com o que consideram ser o engano da ExxonMobil em torno das alterações climáticas.

O processo “abre uma frente na luta contra as alterações climáticas, com a perspetiva de uma condenação judicial e pesadas penas financeiras para uma das maiores empresas de combustíveis fósseis do mundo”, afirmou, em comunicado, Blair Horner, diretor da organização não-governamental nova-iorquina Grupo de Investigação sobre o Interesse Público.

Um juiz federal rejeitou em junho processos apresentados em San Francisco e Oakland, no estado da Califórnia, que procuravam responsabilizar as grandes empresas petrolíferas, incluindo a ExxonMobil, pelo aquecimento global.

Esta queixa de Nova Iorque ocorre menos de três meses depois de a autoridade bolsista (SEC, na sigla em inglês) ter abandonado uma iniciativa similar.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2019: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.