Consumidores preocupados com a qualidade do grogue que vem da Praia

24/10/2018 00:27 - Modificado em 24/10/2018 00:27
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Depois da apreensão de 6.000 litros de grogue no Porto da Praia, levada a cabo pelo Comando da Secção Fiscal, no passado dia 20 de Outubro – que teriam como destino a ilha de São Vicente – por alegadamente o produto ser impróprio para o consumo, alguns utentes em São Vicente mostram-se preocupados com esta situação, que poderá colocar em risco a saúde dos consumidores.

De acordo com a PN a apreensão do produto deu-se porque os documentos apresentados não estariam em conformidade com a lei, nomeadamente o prazo de validade dos mesmos. O produto estava em 30 barris contendo 200 litros cada. Ora, o NN saiu a rua para ouvir alguns consumidores, que mostram-se preocupados com estes factos e colocam em causa o produto que andam a consumir.

Jorge Delgado sustenta que em São Vicente o grogue sempre teve uma boa qualidade. “Mas a verdade é que nem todos são iguais. Todo o grogue deveria ser feito da mesma forma. Aquela que está estipulada na lei”. Sobre o grogue produzido em Santiago o utente garante que este teve sempre uma péssima qualidade, alegando que todas as pessoas contestam a qualidade deste produto que vem de Santiago. “O unico interesse deles é o lucro que vão obter. Em relação a Santo Antão é feito com mais respeito, isto porque é feito para o comércio, ou seja para que o grogue tenha mais saída e ganhar credibilidade na hora da exportação”.

Por sua vez Elísio Santos, natural da ilha de Santo Antão, mas residente em São Vicente a largos anos, assegura que Tarrafal de Monte Trigo, localidade do interior do Porto Novo, é um lugar “famoso” na produção da aguardente, mas que hoje em dia ninguém sabe a forma que este produto está sendo produzido. “Em toda a parte estão adulterando o produtos final. E quando se fala no grogue de Santiago é complicado. Colocam todos os tipos de produtos no grogue, como lixívia e outros produtos tóxicos para a saúde”.

 Na visão de Octávio Pires, a entrada da IGAE no terreno deu grande ajuda para que a qualidade do grogue aumentasse, mas isso não tem impedido que os produtores ou mesmos os revendedores possam adicionar outros produtos. O aumento do preço também é um dos fatores apontados por este como um dos fatores que levam ao uso de outros produtos nocivos à saúde na confeção do grogue. “Os produtores estão preocupados em vender todo o tipo de produto, e interessam vender em primeiro lugar o pior que tem. Mas não falamos de todos os produtores porque há bons produtores. E no caso destes a saída é fraca porque há concorrência desleal”.

De realçar que este é mais um caso de apreensão de aguardente nas ilhas de Cabo Verde, e que tem ocorrido principalmente nos portos. O consumo do grogue de má qualidade tem causado várias mortes no arquipélago e deixada muita gente incapacitada, por serem adicionadas matérias-primas nocivas a saúde, e provocando a desvalorização do produto.

Segundo dados da IGAE, cerca de 60% das 312 unidades de produção de aguardente da cana sacarina em Cabo Verde não têm licença de funcionamento, sendo que 35% dessas unidades não apresentam as mínimas condições, nomeadamente no que respeita às boas práticas de fabrico, higienização, infraestruturas.

A nova lei em Cabo Verde que regula a produção e comercialização de aguardente de cana-de-açúcar, tradicionalmente conhecida por grogue, entrou em vigor no ano de 2015, com vista a reforçar a fiscalização deste sector.

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