China pode ter dívida oculta de 5,8 biliões com risco “titânico”

22/10/2018 09:11 - Modificado em 22/10/2018 09:11
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“A possível dimensão da dívida é um iceberg com riscos de crédito titânicos”, escreveram analistas de crédito da S&P.

Os governos regionais da China podem ter acumulado 40 biliões de yuans (5,8 biliões de dólares) em dívidas fora do balanço, ou até mais, o que indica que haverá mais defaults, segundo a S&P Global Ratings.

“A possível dimensão da dívida é um iceberg com riscos de crédito titânicos”, escreveram analistas de crédito da S&P liderados por Gloria Lu, num relatório divulgado na terça-feira. Boa parte da dívida acumulada está relacionada com veículos de financiamento dos governos locais (LGFVs, na sigla em inglês) o que não quer dizer que tenha a garantia dos governos locais.

Com a economia chinesa a desacelerar e o governo chinês a impor uma quota para a emissão de títulos dos governos locais que é insuficiente para financiar projectos de infra-estruturas para suportar o crescimento regional, autoridades de todo o país têm recorrido aos LGFVs para obter financiamento, segundo a S&P. Uma estratégia que deixou os LGFVs “na corda bamba” entre a desalavancagem e a transformação dos seus negócios em empresas estatais mais típicas, disseram os analistas da S&P.

As crescentes vulnerabilidades dos LGFVs acontecem numa altura em que os defaults estão a atingir recordes na China, que tem tentado alterar a prática utilizada há décadas de garantias implícitas nas dívidas.

Entre os LGFVs mais vulneráveis estão os seguintes, na análise da S&P:

– Os que estão ligados a governos mais fracos de municípios, cidades ou distritos com pouca supervisão de empresas estatais;

– Os que estão focados em actividades comerciais, tendo por isso importância reduzida para os governos locais;

– Os que apresentam riscos significativos de refinanciamento devido às elevadas dívidas de curto prazo ou à dependência de empréstimos do sector bancário paralelo.

O foco no financiamento para sustentar o crescimento no nível regional reflecte uma mudança mais ampla no governo central, que no ano passado estava focado na redução da alavancagem no sistema financeiro. Na prática esta fase acabou, devidos em parte à escalada da guerra comercial com os EUA, segundo analistas do Citigroup.

“Os mercados estão certos, na nossa perspectiva, em estarem mais preocupados com a sustentabilidade da dívida da China e com o aumento dos riscos financeiros”, disse Liu Li-Gang, economista-chefe do Citigroup para a China em Hong Kong, que prevê também uma “pressão renovada” sobre o yuan.

Mesmo com a mudança do governo central na adopção de medidas de estímulo, a S&P vê Pequim determinada a “disciplinar as práticas de financiamento dos governos regionais e dos seus LGFVs”. Em resultado, as autoridades regionais não terão capacidade plena de manter os LGFVs em cumprimento e a conclusão é que “o risco de ‘default’ dos LGFVs está a aumentar”.

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