Mutilou nariz e orelhas para parecer uma caveira e explica porquê

24/09/2018 11:27 - Modificado em 24/09/2018 11:27
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O colombiano Hincapie Ramirez gastou milhares de dólares em cirurgias plásticas e tatuagens para cumprir a fantasia de se parecer com uma caveira. “Kalaca Skull”, como se autodenomina, contou tudo em entrevista à “Crónica”, o suplemento de grandes reportagens do “El Mundo”.

Aos 22 anos, Ramirez tem o aspeto tétrico que o atraía desde menino. Segundo o jornal espanhol, foi, até ao momento, o único homem do mundo a mutilar nariz e orelhas.

“Adoro caveiras, desde muito pequeno que gosto desta relação com elas. Gosto do mundo louco, de causar pânico às pessoas que têm medo da morte, sentir a adrenalina por causa do medo que causo. Acho que a morte é minha própria irmã, que está sempre atrás de mim”, disse, esta semana, em entrevista à “Crónica”. Contou que, quando tinha nove anos, andava à caça de ratos para lhes cortar a cabeça e torná-los caveiras: “Fazia isso às escondidas da minha mãe”.

Nascido na localidade de Cartago, no norte do departamento colombiano do Valle del Cauca, Hincapie Ramirez não teve uma infância fácil. Às avessas com o pai, mantinha a fantasia obscura em segredo para não perturbar a mãe, Maria, com quem se sentia muito unido e cuja morte viria a a provocar-lhe grande sofrimento quando tinha apenas 13 anos. Na altura, o então rapaz foi viver para casa dos avós que ainda hoje aceitam as singularidades do neto.

“Desde que a minha mãe morreu, decidi transformar a cara numa caveira, gosto de como aparenta e de observar as pessoas quando se assustam. Têm medo da morte, sabendo que a morte é o mais bonito da vida. É um sonho eterno. Na vida, sofremos, há muita maldade, muitos homicídios, muita violação. Este mundo é o próprio caos, é o apocalipse. A morte não. Descansamos, relaxados, não há necessidade de nos levantarmos (risos)”, continuou.

Apesar de saber que a mãe não partilhava do mesmo interesse pelo mundo tétrico, Ramirez acha que aprovaria, “lá de cima”, esta mudança radical a que se submeteu. Começou de forma gradual, com uma tatuagem de um pentagrama na perna. Depois veio o nome da mãe nas costas. E quando deu conta, tinha o corpo irreconhecível.

“O modificador (especialista que faz as operações e tatuagens extremas) ficou apavorado quando lhe disse que queria parecer uma caveira, que queria tirar o nariz e as orelhas”, lembra. “Não tive medo de cortar o nariz, muito pelo contrário, não queria lembrar-me do meu pai, que nos abandonou. Tinha nariz de bruxa (risos)”.

Antes das operações, submeteu-se a vários exames médicos para garantir de que as alterações ao corpo não trariam efeitos negativos para a saúde. Quando Damián Carnicero, o seu modificador, lhe assegurou que não havia riscos, Ramirez – que também ele é tatuador – pôs mãos à obra. Correu o país para tirar nariz, orelhas, pigmentar olhos e língua e colocar implantes.

A recuperação mais custosa foi a da operação à língua, agora dividida em duas. “Não me incomoda que pensem que estou louco, compreendo isso porque há pessoas que são de outra geração. Como no tempo delas não havia disto, acham estanho”, assinala. “Deus pensará que sou uma ovelha negra, perdida, por causa do meu aspeto. Mas eu não faço mal a ninguém”.

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