Sistema de Triagem de Manchester: três anos de implementação e ainda não convence

28/11/2017 06:52 - Modificado em 28/11/2017 06:52
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O problema do mau atendimento em Cabo Verde não é novidade, principalmente nos locais públicos e, como tal, o Hospital Baptista de Sousa figura, entre os “consumidores”, como aquele em que o problema nunca é resolvido, apesar das diversas denúncias, reclamações e afins.

Muitos utilizadores que dependem do sistema público de saúde sofrem com o mau atendimento, com a demora, com a própria estrutura, entre outros problemas.

Este fim-de-semana, o NN esteve no local para constatar o atendimento e conversar com alguns utentes que, fartos da espera, uma vez mais, resolveram denunciar esta situação com foco no sistema de Triagem de Manchester. Muitos garantem que quando se deslocam às urgências do HBS sujeitam-se a mais de duas horas de espera para serem atendidos, o que os leva ao desespero.

Desde que foi instalado este sistema, que supostamente deveria melhorar a qualidade de atendimento no Banco de Urgências do HBS com os utentes à espera, como um atendimento personalizado, responsável e competente, veio afirmar o contrário.

O sistema de triagem por prioridade consiste numa avaliação e observação do utente que se apresenta nas urgências, com o objectivo de estabelecer prioridades de atendimento, de modo a reduzir o tempo de espera no serviço e garantir que os utilizadores recebam o tratamento adequado ao seu estado de saúde. Assim, através deste sistema, é classificada a gravidade de cada utente, dando prioridade aos casos onde exista perigo de vida, tendo sido implementado em 2014.

Entretanto, segundo os utentes, veio fazer mais mal que bem. Isso porque, segundo os mesmos, as pessoas, por exemplo que tenham um pulseira verde (pouco urgente) deveriam esperar até duas horas com base nesta forma de funcionamento, mas o que acontece é que muitos acabam por esperar o dobro deste tempo e, muitas vezes, durante largos minutos depois de sair um paciente, os médicos não chamam mais ninguém até quando lhes dá “na telha”. E questionam o que “anda esse pessoal a fazer lá dentro que não atende e que não faz nada”.

Às 16:30 havia outras pessoas, para além das mesmas que lá estavam desde as 12 e as 13h à espera de atendimento por parte do Dr(a). Segundo um dos utentes presentes no local, “o médico/a que está no Banco de Urgências deveria prestar um serviço de acordo com a sua função. As pessoas vêm cá porque necessitam de atendimento urgente e de qualidade”.

“A Direcção do Hospital é que deveria prestar mais atenção à situação”, criticou este utente.

Os mesmos consideram que o mau atendimento, os demorados com pouca atenção por parte dos médicos, gera frustração e irritação no utente, acabando com a sua motivação de esperar para ser visto.

Até ao final deste artigo, não foi possível trazer a reacção do HBS, mas prometemos continuar até ter uma reacção sobre este assunto, três anos após a implementação do sistema Manchester de Classificação de Risco.

O Sistema de Triagem de Manchester é um protocolo com validação científica e certificado internacionalmente, criado pelo Grupo de Avaliação de Risco de Manchester e implementado em 1997.

O tempo médio de espera, até se ser atendido pelo médico, é calculado com base na urgência da condição do utente, segundo as cores:

Vermelho (EMERGENTE): o atendimento é imediato;

Laranja (MUITO URGENTE): o atendimento acontecerá, em média, em 10 minutos, e o utente aguarda no interior do Serviço de Urgência;

Amarelo (URGENTE): o atendimento acontecerá, em média, em 60 minutos, e o utente aguarda no interior do Serviço de Urgência;

Verde (POUCO URGENTE): aguardará na sala de espera a sua vez, que será quando não houver doentes mais graves para serem tratados, em média em 120 minutos;

Azul (não urgente): aguardará na sala de espera a sua vez, que será quando não houver doentes mais graves para serem tratados, em média em 240 minutos.

  1. Cidadão Mindelense

    Já fui vitima deste sistema muitas vezes.Penso que os médicos são os culpados!! O problema é que, se eles repararem que não tem ninguém com as pulseiras consideradas urgentes, atendem quando querem. Estive lá a noite e os médicos de serviço estiveram a dormir enquanto esperava horas a fio, porque todas os pacientes que deveriam atender não eram consideradas urgentes. Até parece que há um acordo entre eles ( medico-enfermeiro) para o efeito.
    Sei que devo esperar quando alguém é considerado prioritário mas caso não houver pacientes urgentes devo ser atendido de acordo com a hora de chegada. A direcção do Hospital deve averiguar isto. o sistema teria tudo para dar certo se os funcionários fosse de facto profissionais!!!

  2. Cidadão descontente

    Essa situação poderia até ficar menos agravante, caso tivesse-mos bons atendedores. Infelizmente o atendimente neste Hospital em geral, salvo um ou outro caso, é péssimo. Os utentes são mal atendidos, e os atendedores fazem pouco caso do problema de cada um e ainda deixam transparecer o clima de desorganização e falta de superbisão existente.

  3. Gilda Cruz

    Boa tarde
    Aproveito para denunciar uma outra estratégia dotada nas urgências do H.B.S., mais concretamente na Pediatria. A cerca de duas semana atrás cheguei a Pediatria de madrugada, por volta das 04:00, com a minha filha de um ano com vómito, diarreia, febre, tosse e constipado. A Enfermeira de serviço nos atendeu uns 5 minutos depois e me disse que a minha filha iria ficar na observação e nos encaminhou para a enfermaria e ficou a atender uma outra paciente. Minutos depois a outra criança chegou a enfermaria também acompanhada da mãe para ficar em observação. Logo de seguida a Enfermeira veio ter connosco voltou a medir a temperatura corporal de ambas as crianças e foi-se embora. Depois daí não vi nem Enfermeiro(o) nem tão pouco Doutor(a) até por volta das 07:30. Quando a Doutora acordou foi nos visitar a enfermaria, pediu-me para a acompanhar até ao consultório (só as 07:30 que a minha filha foi vista pela Médica) viu a minha filha, receitou-a e nos mandou para casa. Se a Enfermeira tivesse acordado a Médica as 04:00 da manhã teríamos voltado para casa logo em seguida.
    Agora uma criança chega de madrugada a Pediatria necessitando de cuidados e tem de esperar até de manhã porque o Pessoal de serviço estão deitados a dormir e não podem ser incomodados.
    A administração precisa de tomar medidas urgentes porque ninguém sai de madrugada com uma bebé ou criança para ir as urgências caso não houver necessidade.

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