
O Grupo Parlamentar do MpD saudou hoje as medidas anunciadas pelo Governo para mitigar os efeitos da subida do preço internacional do petróleo no país, considerando tratar-se de uma resposta “responsável e estrategicamente orientada”.
A posição foi expressa pela deputada Isa Miranda, durante uma declaração política, na sequência da comunicação feita ao país pelo chefe do Governo na quinta-feira, 12, sobre medidas de mitigação destinadas a fazer face aos choques inflacionistas no sector energético.
Segundo a deputada do Movimento para a Democracia (MpD, poder), em poucos dias o preço do petróleo passou de cerca de 70 dólares para mais de 90 dólares por barril, podendo ultrapassar os 100 dólares caso o conflito no Médio Oriente se prolongue, situação que tem reflexos directos na economia mundial.
“Quando o petróleo sobe desta forma, o impacto sente-se em toda a economia mundial, seja nos transportes, na electricidade, na produção e, inevitavelmente, no custo de vida”, afirmou.
Isa Miranda sublinhou que, sendo Cabo Verde um país insular altamente dependente das importações, os choques externos acabam por ter efeitos inevitáveis na economia nacional, razão pela qual considerou importante a actuação antecipada do Governo.
De acordo com a deputada, o executivo apresentou um conjunto de medidas “prudentes e preparadas” para serem accionadas caso os efeitos inflacionistas externos se reflictam nos preços internos dos combustíveis.
Entre as medidas destacam-se a suspensão temporária do mecanismo de actualização dos preços, com compensação às petrolíferas pelo défice resultante, a aplicação de descontos equivalentes ao aumento das receitas do IVA gerado pela subida do combustível importado e a eventual redução de impostos sobre os produtos petrolíferos.
Segundo afirmou, tratam-se de medidas “responsáveis, equilibradas e flexíveis”, que poderão ser implementadas de forma isolada ou conjunta, de acordo com a evolução dos preços internacionais.
Na sua intervenção, Isa Miranda destacou ainda que Cabo Verde tem enfrentado, desde 2017, vários desafios externos, entre os quais anos de seca, a pandemia da covid-19, os impactos da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e, mais recentemente, as tensões no Médio Oriente envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irão.
Apesar desse contexto, a deputada afirmou que o Governo tem mantido uma estratégia de preparação do futuro energético do país, com investimentos em energias renováveis, sistemas de armazenamento e eficiência energética.
Inforpress/Fim