
A empresa Nortuna já começou a comercializar em Cabo Verde o Esmoregal produzido em aquacultura, na zona de Flamengo, numa fase inicial de introdução do produto no mercado nacional. Ao mesmo tempo, a empresa prepara-se para iniciar as exportações para vários mercados internacionais, sobretudo na Europa.
De acordo com o gerente nacional da Nortuna, Thomas Rodrigues, a empresa tem atualmente cerca de 230 toneladas de peixe prontas para exportação, mas o processo ainda aguarda condições logísticas e comerciais para avançar.
“Estamos um pouco atrasados em relação ao plano inicial. Ainda aguardamos o início das exportações para a Europa, por isso estamos a acumular biomassa no mar até estarmos prontos para exportar, ou até que Cabo Verde esteja totalmente preparado para exportar para a União Europeia”, explicou.
Segundo o responsável, a empresa está a ajustar o ritmo de produção para evitar excedentes. “Não podemos produzir mais do que conseguimos vender ou entregar, por isso estamos a adiar parte da produção até que as vendas estejam garantidas.”
A Europa surge como o principal mercado-alvo para o esmoregal produzido em Cabo Verde. Vários clientes europeus já manifestaram interesse em adquirir o produto. “Temos clientes à espera do nosso peixe em vários países, como Portugal, Espanha, França e Noruega. São mercados que já conhecem bem o produto e aguardam a chegada do esmoregal produzido em Cabo Verde”, afirmou Thomas Rodrigues.
Além da Europa, a Nortuna pretende também expandir as exportações para América, Ásia e África, consoante as oportunidades de mercado.
Apesar de a exportação ser a prioridade do projecto, uma pequena parte da produção já começou a ser comercializada no mercado nacional.
“Atualmente estamos a vender quantidades limitadas para alguns hotéis em Cabo Verde, que já incluíram o nosso Esmoregal nos seus menus”, explicou o gerente.
O objectivo, segundo a empresa, é também garantir que um produto de alta qualidade produzido no país esteja disponível para os consumidores cabo-verdianos.
A produção de peixe em aquacultura em Cabo Verde é considerada uma experiência relativamente recente. Para garantir a implementação do projecto, a Nortuna está a trazer conhecimento técnico de países com tradição no sector.
A empresa conta atualmente com 32 trabalhadores cabo-verdianos, apoiados por seis especialistas estrangeiros provenientes da Noruega, Espanha e Malta, que ocupam funções de gestão e apoio técnico.
“Estamos a trazer para Cabo Verde a experiência europeia, especialmente da Noruega, que tem grande tradição na aquacultura. Ao mesmo tempo, estamos a capacitar técnicos e biólogos cabo-verdianos”, explicou Rodrigues.
Entre os principais obstáculos identificados pela empresa está a logística, que ainda representa um desafio significativo para a operação.
“Dependemos da importação de praticamente todos os equipamentos a partir da Europa, e isso torna o processo mais lento. Além disso, a capacidade de carga aérea no aeroporto de São Vicente é limitada e o manuseamento de contentores no porto do Mindelo também apresenta alguns desafios”, explicou.
Quando as exportações começarem, o principal meio de transporte será o marítimo, através de contentores refrigerados, embora o transporte aéreo também possa ser utilizado para cargas menores ou mais urgentes.
Para promover o esmoregal no mercado local, a Nortuna tem realizado eventos de degustação e apresentação do produto em várias ilhas.
Um dos eventos mais recentes decorreu no Hotel Sheraton em São Vicente, e a empresa já realizou iniciativas semelhantes nas ilhas do Sal e Santiago. Nos próximos meses estão previstas novas acções promocionais na Boavista e novamente no Sal.
Apesar destas iniciativas, a empresa reforça que o foco principal continua a ser a exportação.
“O mercado cabo-verdiano é importante para nós, mas o nosso grande objectivo é levar o Esmoregal produzido em Cabo Verde para o mercado internacional”, concluiu o gerente da Nortuna.
NN