Governo concede aval de 3,2 milhões de contos à TACV e reacende polémica política

10/02/2026 16:42 - Modificado em 10/02/2026 16:42

O Governo concedeu um aval de 3,2 milhões de contos (3.207.323.000$00) à TACV para a emissão de um empréstimo obrigacionista na Bolsa de Valores, com o objectivo de reforçar a sustentabilidade financeira da companhia aérea de bandeira nacional.

A decisão foi aprovada em Conselho de Ministros no dia 06 de Fevereiro de 2026 e publicada no Boletim Oficial desta segunda-feira, 09, enquadrando-se no processo de estabilização e reestruturação financeira da empresa.

Segundo o Executivo, a TACV desempenha um papel estratégico na política nacional de transportes, na promoção da conectividade aérea, no desenvolvimento do turismo e na afirmação de Cabo Verde como plataforma internacional de negócios no Atlântico Médio.

O Governo recorda que, para apoiar o desenvolvimento da actividade da transportadora, foram aprovados instrumentos como o Interim Business Plan 2023–2027 e o Plano de Actividades e Orçamento, que definem a estratégia de gestão, consolidação e crescimento da empresa.

“No âmbito da implementação destes planos, está em curso o processo de estabilização e reestruturação financeira da TACV, visando assegurar uma gestão mais eficiente da tesouraria e o equilíbrio dos fluxos de caixa”, sublinha o comunicado.

A emissão obrigacionista sénior permitirá, ainda, renegociar e consolidar responsabilidades financeiras, com o intuito de optimizar as condições operacionais da empresa, nomeadamente ao nível das taxas de juro e dos prazos de maturidade da dívida.

Enquanto accionista maioritário, o Estado considera existir um claro interesse público na concessão deste aval, por se tratar de um sector considerado estratégico para a conectividade e para o desenvolvimento económico do país.

PAICV critica e fala em “financiamento encapuçado”

A decisão do Governo mereceu fortes críticas por parte do PAICV, que classifica a medida como uma forma “encapuçada” de financiamento da companhia aérea através do Tesouro Público.

Em conferência de imprensa, o deputado Julião Varela, que fazia o balanço das jornadas parlamentares preparatórias da primeira sessão plenária de Fevereiro, afirmou que, na prática, é o Estado quem continua a financiar a TACV, duvidando da capacidade da empresa para reembolsar os compromissos assumidos.

Segundo o parlamentar, desde 2018 que o Governo suporta encargos elevados com a transportadora, lembrando que, naquele ano, eram pagos cerca de 10 mil contos por dia e, em 2019, aproximadamente seis mil contos diários, mesmo após o processo de privatização.

Julião Varela recordou ainda as garantias concedidas à Icelandair no âmbito da parceria estabelecida, questionando quem irá assumir o pagamento dos empréstimos contraídos após a saída da empresa do capital da TACV.

Para o deputado, a transportadora funciona actualmente como uma “administração financiada pelo Estado”, considerando que a estratégia adoptada não seguiu as recomendações de organizações internacionais, que defendiam uma maior aposta nas rotas domésticas como forma de dinamizar o turismo inter-ilhas.

“Se não atribuírem, a TACV fecha a porta, porque não foi preparada, não está talhada, efectivamente, para exercer a sua função enquanto empresa”, afirmou, responsabilizando o Governo pelas opções estratégicas tomadas.

O PAICV defende que o investimento deveria centrar-se no reforço das ligações domésticas, permitindo potenciar o turismo interno, alargar a mobilidade entre as ilhas e criar uma base mais sólida para a expansão internacional da companhia.

A concessão deste novo aval reacende, assim, o debate político em torno da sustentabilidade da TACV e do papel do Estado na gestão e financiamento da transportadora aérea nacional.

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