
A artista cabo-verdiana Gilda “Gildoca” Barros foi seleccionada para integrar a 5.ª edição da Residência Artística UPCYCLES, que decorre em Maputo, Moçambique, anunciou a organização do projecto.
Natural do Mindelo, ilha de São Vicente, a muralista e pintora é uma das cinco criadoras escolhidas entre 37 candidaturas provenientes de todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Do total, 34 candidaturas foram consideradas válidas. Gilda Barros ocupa uma das duas vagas reservadas a artistas dos PALOP fora de Moçambique.
A artista cabo-verdiana junta-se aos moçambicanos Mário Cumbana, Thandi Pinto e Délfio Muholove, bem como à artista angolana-alemã Maresa Nzinga Pinto, num projecto que propõe a reinterpretação criativa de arquivos audiovisuais históricos dos PALOP.
Promovida pela Associação dos Amigos do Museu do Cinema em Moçambique (AAMCM), com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, a residência seleccionou os participantes com base em critérios como originalidade, impacto artístico, capacidade de produção e viabilidade técnica e logística. Segundo o júri, Gilda Barros destacou-se positivamente na maioria dos parâmetros avaliados.
Com 31 anos, Gildoca Barros tem vindo a afirmar-se no panorama artístico contemporâneo através de uma prática centrada na representação da mulher negra, da ancestralidade e da memória colectiva cabo-verdiana. O seu percurso internacional ganhou maior visibilidade com a participação na 15.ª Bienal de Dakar, em 2024, e com a realização de murais de grande escala em Portugal, como a obra “O Papel da Mulher na Sociedade”, em Porto de Mós.
A artista apresentou ainda a exposição individual “Memórias e Sentimentos”, em São Vicente e na cidade da Praia, onde integrou fotografias familiares para reflectir sobre a emigração e a identidade. A sua inspiração, segundo a própria, nasce “da minha mãe e da minha avó”, explorando temas ligados à memória, ancestralidade e identidade feminina.
A residência UPCYCLES terá um formato híbrido, com sessões de tutoria à distância a partir de Fevereiro e um período presencial intensivo em Maputo, entre 30 de Março e 10 de Abril de 2026. Os artistas internacionais seleccionados beneficiam de um apoio financeiro completo, que inclui bolsa de criação, verba para materiais e direitos de arquivo, bem como viagem internacional e alojamento integral.
Para além dos cinco artistas seleccionados, a organização anunciou uma lista de cinco suplentes, sem representação cabo-verdiana. Ainda assim, todos os candidatos serão convidados a participar em sessões online integradas no programa.
NN