
O Banco Comercial do Atlântico (BCA) concluiu, no dia 15 de janeiro de 2026, na cidade da Praia, todas as formalidades necessárias para a transição acionista, marcando oficialmente a transmissão da participação maioritária da Caixa Geral de Depósitos, S.A. (CGD) para a Coris Holding S.A., grupo financeiro com sede no Burkina Faso.
Com esta operação, a Coris Holding passa a deter 59,81% do capital social do BCA, numa transação avaliada em 82 milhões de euros, que gerou uma mais-valia de 19,3 milhões de euros para a CGD. O negócio teve ainda um impacto positivo de cerca de 40 pontos-base no rácio CET1 do banco português, resultado da conjugação da mais-valia com a redução dos ativos ponderados pelo risco.
Em comunicado, o BCA sublinha que a instituição continua a operar com total normalidade, mantendo a sua solidez operacional, o compromisso com os clientes, a qualidade do serviço e a relação de confiança construída ao longo de décadas no sistema financeiro cabo-verdiano.
O processo de venda, anunciado inicialmente em março de 2024 e formalizado após a não oposição do Banco de Cabo Verde, conhecida a 24 de novembro de 2025, permitiu às autoridades reguladoras esclarecer todos os aspetos considerados relevantes e ao novo acionista aprofundar o conhecimento sobre a instituição. As participações detidas por outras entidades e instituições em Cabo Verde não foram incluídas na transação.
Segundo a CGD, esta alienação enquadra-se na estratégia de reestruturação da sua presença em Cabo Verde, encerrando um ciclo de mais de 20 anos em que o grupo foi acionista de dois bancos no país. Apesar da saída do capital do BCA, a Caixa Geral de Depósitos mantém-se no mercado cabo-verdiano através do Banco Interatlântico, reafirmando o compromisso de continuar a contribuir para o desenvolvimento económico e social do país.
A instituição recorda ainda que uma primeira tentativa de venda, em 2020, não avançou por não estarem reunidas as condições consideradas adequadas para defender os interesses da Caixa e do próprio BCA. O processo agora concluído decorreu, segundo a CGD, num contexto diferente, assegurando o cumprimento das melhores práticas de compliance e governance, bem como todas as aprovações regulatórias exigidas.
Com esta operação, a venda do BCA passa a ser uma das principais desinversões internacionais concluídas pela CGD, ficando ainda pendente a alienação da sua operação no Brasil.