
A colheita da cana-de-açúcar e a sementeira da batata comum estão a marcar, por estes dias, o ritmo da atividade agrícola nos diferentes vales do município do Porto Novo, na ilha de Santo Antão. A constatação é da Inforpress, que acompanhou de perto o movimento no terreno.
Segundo os agricultores, a safra da cana sacarina, que decorre até maio, é atualmente a principal prioridade do setor. Para além de ser uma tradição enraizada, esta atividade assume um papel determinante na economia local, sobretudo pela quantidade de empregos sazonais que gera durante este período.
Apesar da intensa mobilização, produtores de praticamente todos os vales agrícolas relatam dificuldades relacionadas com a escassez de mão de obra. Ainda assim, garantem que irão cumprir o calendário legal estabelecido para a safra.
De acordo com o decreto-lei n.º 11/2015, de 12 de fevereiro, que regula a produção de aguardente de cana-de-açúcar em Cabo Verde, o período oficial destinado à colheita da cana e à produção do grogue inicia-se a 1 de janeiro e termina a 31 de maio.
Paralelamente, os agricultores dedicam-se à sementeira da batata comum, uma cultura que continua a ser aposta em vários vales, apesar da ameaça da praga dos mil-pés. A localidade de Martiene destaca-se como uma das principais zonas produtoras deste tubérculo em Santo Antão.
Martiene integra um grupo restrito de vales agrícolas ainda livres desta praga, o que permite a continuidade do cultivo da batata comum. Fazem igualmente parte desse grupo Chã de Norte, Ponte Sul/Chã de Maro e o Tarrafal de Monte Trigo, consideradas áreas estratégicas para a produção agrícola na ilha.