
O brilho do teatro voltou a iluminar o Mindelo. A Edição Aurora do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact) abriu oficialmente na noite de segunda-feira, 3 de novembro, no Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), prometendo inspiração, emoção e um tributo à força da cultura cabo-verdiana.
Durante a cerimónia de abertura, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Augusto Veiga, destacou o papel simbólico do festival neste ano em que Cabo Verde celebra 50 anos de Independência Nacional. Segundo o ministro, o Mindelact “ganha um significado ainda mais profundo ao celebrar meio século de liberdade, afirmação e criação cabo-verdiana”.
Veiga reforçou ainda que o festival, com mais de três décadas de história, é hoje “um dos maiores do continente africano e um verdadeiro símbolo da diplomacia cultural de Cabo Verde no mundo”. E deixou o desejo de que a Edição Aurora sirva de farol para “continuar a construir um Cabo Verde mais forte, mais justo e mais belo — um Cabo Verde onde a cultura seja sempre farol e abrigo”.
Do lado da organização, o presidente da Associação Mindelact, Yannick Fortes, emocionou o público ao pedir um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da tempestade Erin, que assolou a ilha a 11 de agosto. Fortes explicou que o nome Aurora foi escolhido para simbolizar o renascer do Mindelo e de Cabo Verde, tal como aconteceu com a independência nacional.
“É neste momento de renascimento da cidade, depois da tempestade, que trazemos novamente o teatro para as ruas. Esta é a primeira vez que voltamos a fazer teatro no Mindelo depois daquele dia”, afirmou.
Apesar das dificuldades — entre elas, a destruição do Centro Cultural do Mindelo, o principal palco do festival —, a organização decidiu seguir em frente, com o apoio da Câmara Municipal de São Vicente, do Governo e do Ministério da Cultura.
A 31.ª edição do Mindelact decorre até sábado, 8 de novembro, com espetáculos de Cabo Verde, Portugal, Brasil, Canadá, Espanha, Guiné Equatorial e Irlanda.
A abertura contou com duas performances marcantes: “Born of Normal Parents”, do canadiano Murray Malloy, apresentada no CNAD, e “Debaixo do Poilão”, de Ângela Marques e Fernando Moreira, na Academia Jotamonte.