
O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), João Santos Luís, defende que 2026 deve marcar o início de uma nova era política em Cabo Verde, assente na descentralização real do poder e na valorização de todas as ilhas do arquipélago.
Em conferencia de imprensa no Mindelo, o líder da UCID criticou o atual modelo de governação, que considera “altamente centralizado”, concentrando “quase todo o poder político, económico e administrativo numa só ilha, e mais concretamente num só concelho”.
“É lá que se tomam quase todas as decisões, se desenham quase todas as políticas e para onde vão, primeiro, quase todos os recursos”, sublinhou.
Segundo João Santos Luís, o centralismo tem alimentado desigualdades profundas, deixando muitas ilhas “à margem do desenvolvimento nacional”, como se fossem “simples filiais de um país que só funciona a partir do centro”.
“Mas Cabo Verde não é uma só ilha, nem uma só cidade. São nove ilhas habitadas, cada uma com potencial, cultura, talento e projetos de vida próprios”, frisou.
O líder centrista alertou que nenhum país pode progredir se parte do seu território for sistematicamente esquecido ou subvalorizado. Entre os exemplos que apontou, destacou a emigração juvenil por falta de oportunidades, as dificuldades no acesso a cuidados de saúde de qualidade, e os transportes inter-ilhas precários, que classificou como “uma lotaria”.
“Os cidadãos da Brava, do Maio, de São Nicolau, de São Vicente ou de Santo Antão não estão a pedir favores. Estão a pedir justiça e igualdade de oportunidades”, afirmou.
João Santos Luís defende que a descentralização deve ser encarada como justiça social, eficiência económica e coesão nacional, e propôs um conjunto de medidas concretas para “romper de vez com o centralismo ineficaz”:
“Descentralizar não é dividir o país, é unificá-lo com justiça”, reforçou. “A Praia é importante e continuará a sê-lo, mas as outras ilhas também são Cabo Verde e não podem continuar a viver com migalhas.”
Para João Santos Luís, o país precisa de um novo pacto político e institucional, que respeite cada ilha como “protagonista do seu próprio destino”, valorize o talento local e dê mais poder aos municípios.
“As ilhas não querem favores, nem esmolas. Querem respeito, futuro e autonomia”, concluiu o presidente da UCID.