
O movimento de “D´Pov pa Pov” reuniu hoje na manifestação na Praça Dom Luís, no Mindelo, centenas de sanvicentivos que mostraram o seu descontentamento perante o poder local e central e exigem mudanças.
O coordenador do movimento em São Vicente, Bento Lima, mostrou-se satisfeito com a adesão vista, apesar de a acção na ilha ter somente uma semana.
Entretanto, lembrou que não é algo somente para a ilha, mas de todas ilhas, que “estão a sofrer dos mesmos problemas”.
“É um movimento para incentivar uma cidadania mais activa, porque os governos e as câmaras trabalham para o povo e precisam ouvir o povo”, justificou Bento Lima, para quem os governantes devem cumprir o prometido ou então dar uma satisfação sobre o que está a ser feito.
O jovem disse que, no seu caso, sentiu necessidade de mostrar a sua “revolta” ainda mais depois da tempestade Erin, em São Vicente, em que foi anunciado “mundos e fundos”, mas, “ou isto não está a ser aplicado, ou então não estão a dar a conhecer o que está a ser feito”.
Referindo-se ainda ao caso específico da ilha, Bento Lima afirmou haver “um problema grave de urbanismo, sem planos de gestão e com pensamentos somente a curto prazo”.
Por outro lado, elencou, à nível nacional, problemas relacionados com os transportes, justiça, educação e saúde.
“Mas o que é que funciona bem em Cabo Verde? Sinceramente, pouca coisa”, considerou.
O mesmo pensamento também defendido pelo participante Guilherme Mascarenhas, para quem há um “divórcio” entre as prioridades dos governantes e as prioridades do povo.
“É como se os governantes vivessem noutro país, e as chefias não estão a ouvir os colaboradores”, sustentou a mesma fonte, enumerando várias decisões políticas, que estão na “contramão” daquilo que o povo precisa.
Rosa Pimenta, de 84 anos, justificou a sua participação na manifestação com a esperança de que daqui a alguns anos as diferentes reivindicações possam se tornar realidade.
“Sem ajuda do povo nada existe, nós é que temos de fazer a nossa ilha e fazê-la avançar, força povo”, exaltou, dirigindo-se aos manifestantes.
Durante o evento, houve momentos para diversos depoimentos, declamação de poemas de protesto, e ainda um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da tempestade Erin.
O coordenador em São Vicente, Bento Lima, assegurou que este é só o primeiro passo de um movimento que pretende fazer outras acções para ver as mudanças efectivadas.
“D´Pov pa Pov” surgiu nas redes sociais, por iniciativa do artista Alberto Koenig.
Inforpress/Fim