László Krasznahorkai é prémio Nobel da Literatura 2025

10/10/2025 09:16 - Modificado em 10/10/2025 09:16

Ao lado de Imre Kertész, galardoado com o Nobel em 2002, é a segunda vez que um húngaro recebe a distinção. O anúncio teve lugar em Estocolmo e a cerimónia de entrega do prémio está prevista para 10 de dezembro

© Gyula Czimbal

Era um dos preferidos há anos e liderava a lista de apostas de László Krasznahorkai recebeu o Prémio Nobel da Literatura. Trata-se do segundo húngaro a vencer a distinção – o primeiro foi Imre Kertész, em 2002 – e do 122º autor galardoado no âmbito do prémio instituído por Alfred Nobel em finais do século XIX.  

Segundo o secretário permanente da Academia Sueca, no Prémio Nobel, Mats Malm, o escritor foi escolhido por construir “uma obra convincente e visionária que, no meio do terror apocalíptico, reafirma o poder da arte.” Malm acrescentou que falou com o autor, que se encontrava em Frankfurt, ao telefone, tendo apenas discutido pormenores práticos sobre a cerimónia de entrega do Nobel a 10 de dezembro. Nesse dia, ser-lhe-á formalmente entregue o valor pecuniário do prémio, fixado em 11 milhões de coroas – equivalente a cerca de 1 milhão e quatro mil de euros. 

László Krasznahorkai escreveu sete romances, dos quais dois estão traduzidos ao português. Um deles, “O Tango de Satanás” (Antígona), o seu livro de estreia originalmente publicado em 1985, viria a ser a base para o longo filme que Béla Tarr dirigiu em 1994.

O outro, “Herscht 07769”, o seu penúltimo romance, de 2021, acabou de ser lançado pela Cavalo de Ferro. O programa do festival literário Folio, cuja 10ª edição decorre em Óbidos entre 10 e 19 de outubro, inclui a presença do autor no dia do encerramento. 

Autor que se assume devedor de Kafka, Beckett e Gogol – não em vão Anders Olsson, presidente do Comité Nobel, o considera “um grande escritor épico da tradição da Europa Central, que se estende de Kafka a Thomas Bernhard, e é caracterizado pelo absurdo e pelo excesso grotesco” – o seu estilo denso e rarefeito despertou a admiração de Susan Sontag e de W.G. Sebald, quem disse: “A universalidade da visão de Krasznahorkai ultrapassa em muito todas as preocupações menores da literatura contemporânea.” 

Nascido em Gyula, em 1954, no seio de uma família que só lhe revelou a origem judaica aos 11 anos, frequentou um liceu especializado em latim. Mais tarde estudou Direito, caminho que abandonou para se especializar em língua e literatura húngaras, com uma tese sobre o conterrâneo Sándor Márai. 

Em 1987, dois anos antes do colapso comunista, instalou-se em Berlim e, nunca deixando de retornar à Hungria natal, empreendeu várias viagens à Mongólia e à China, conheceu profundamente o Japão e passou períodos em Nova Iorque com o poeta Allan Ginsberg. Hoje, vive “recluso” – segundo o seu editor húngaro – nas colinas de Szentlászló, no sul do seu país. 

Vencedor do Man Booker International Prize em 2015 e de muitas outras distinções, numa entrevista dada em 2024 ao diário espanhol “The Objective”, a propósito de lhe ser outorgado o Prémio Formentor, explicou: “Não entendo os vencedores, pois o que ganham eles ao derrotar alguém? O que ganham não é nada para mim. Eles também não sobreviverão. Em contrapartida, entendo a derrota. Entendo-a porque sinto compaixão pelo perdedor. Portanto, só se pode escrever a partir da compaixão.” 

Depois de, o ano passado, a distinção ter recaído sobre a sul-coreana Hang Kang e de, em 2023, o contemplado ter sido o norueguês Jon Fosse, em 2025 as apostas colocavam László Krasznahorkai em primeiro lugar na lista de favoritos. Seguiam-se autores sobretudo asiáticos, como a chinesa Can Xue, o japonês Haruki Murakami e o indiano Amitav Ghosh. Imediatamente depois vinham a mexicana Cristina Rivera Garza, o espanhol Enrique Vila Matas, o australiano Gerald Murnane e o romeno Mircea Cartarescu. 

Segundo o site de apostas online Nicer Odds, António Lobo Antunes era o primeiro escritor de língua portuguesa a ser referido, ocupando o 18º lugar. Algumas posições abaixo surgiam os moçambicanos Mia Couto e Paulina Chiziane, e os brasileiros Adélia Prado e Milton Hatoum. 

RTP

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