
Mais de 9.600 ninhos de tartarugas marinhas foram registados nos primeiros dois meses da temporada de desova de 2025, na ilha da Boa Vista. Os dados, divulgados pelas principais associações de conservação da ilha — Fundação Tartaruga, Cabo Verde Natura 2000 e Bios.CV — refletem o esforço contínuo de proteção desta espécie ameaçada.
Segundo o balanço da Fundação Tartaruga, foram contabilizados 1.279 ninhos e 1.563 rastros, além do resgate de sete tartarugas. A associação também transferiu 76 ninhos para viveiros e reportou o abate de uma tartaruga. As ações contaram com o envolvimento de 51 guardas destacados para as praias.
Já a Associação Cabo Verde Natura 2000, que atua numa área de cobertura mais ampla, registou 6.492 ninhos, 9.071 rastros sem ninhos e o acompanhamento de 1.078 tartarugas, tendo resgatado 72. Foram também transferidos 139 ninhos para viveiro, com registo de seis casos de caça ilegal. O trabalho foi realizado por 32 colaboradores e 19 voluntários.
Por sua vez, a Bios.CV reportou 1.892 ninhos e o monitoramento de 830 tartarugas. A associação salvou 12 tartarugas, transferiu 250 ninhos para viveiros e registou ainda um raro avistamento de tartaruga olivácea. A iniciativa resultou na criação de 12 postos de trabalho e contou com o apoio de dez voluntários.
As três organizações destacam o papel essencial da colaboração entre equipas técnicas, voluntários e comunidades locais no sucesso da missão de conservação. A temporada de desova decorre até ao final do verão, período crítico para a proteção das tartarugas marinhas em Cabo Verde.