
A Embaixada dos Estados Unidos da América em Cabo Verde deu esta quinta-feira, 25, o pontapé de saída para a construção da sua nova sede na cidade da Praia, com um investimento estimado em 443 milhões de dólares. O lançamento da primeira pedra decorreu no bairro da Várzea, numa cerimónia que contou com a presença de autoridades norte-americanas e cabo-verdianas.
A embaixadora dos EUA, Jennifer Adams, destacou que esta nova infraestrutura representa “um passo importante” na histórica parceria entre os dois países, com raízes que remontam a 1818, ano da instalação do primeiro consulado americano na África Subsariana, precisamente em Cabo Verde.
Segundo a diplomata, a nova embaixada permitirá melhorar os serviços prestados ao público e reforçar os laços diplomáticos, económicos e culturais com o arquipélago. O edifício será inspirado na cultura cabo-verdiana, incorporando elementos artísticos como o batuco, cuja expressão será visível na fachada. O projeto inclui ainda um pátio central, ou “quintal”, elemento tradicional na arquitetura local.
Adams sublinhou que, além da função diplomática, o espaço será também um ponto de encontro cultural e profissional, acolhendo eventos e iniciativas de envolvimento comunitário. A embaixadora adiantou ainda que o edifício celebrará as culturas americana e cabo-verdiana por meio de obras de arte contemporânea.
A futura embaixada deverá gerar empregos e oportunidades de formação para mais de 600 trabalhadores, entre americanos, cabo-verdianos e outros profissionais internacionais. Jennifer Adams reforçou que a escolha do bairro da Várzea para albergar o projeto representa tanto uma oportunidade de desenvolvimento como uma responsabilidade social.
O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, considerou a construção da nova sede como “um marco de consolidação das relações bilaterais”, enraizadas numa ligação de mais de dois séculos, alimentada pela forte presença da diáspora cabo-verdiana nos EUA. O chefe do Governo destacou ainda o impacto económico da obra, tanto ao nível da criação de empregos como na valorização da zona onde será construída, entre a Avenida Cidade de Lisboa e o bairro da Várzea.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, classificou o momento como “histórico e de elevado simbolismo”, sublinhando que o projeto transcende a sua dimensão física e materializa a profundidade das relações entre os dois países. O autarca acredita que a obra terá impacto nacional e beneficiará também os cabo-verdianos residentes na diáspora.
O novo complexo diplomático será desenvolvido numa área de 11 mil hectares e deverá estar concluído no prazo de quatro anos.