Deputados do PAICV denunciam “abandono” na eletrificação de comunidades rurais do Fogo

16/07/2025 11:47 - Modificado em 16/07/2025 11:56

Dois dos três deputados do PAICV eleitos pelo círculo eleitoral do Fogo denunciaram esta terça-feira a ausência de investimentos públicos na eletrificação de pequenas comunidades rurais da ilha ao longo da última década.

Em conferência de imprensa realizada em Santa Cruz, localidade situada a poucos quilómetros de São Filipe, Eva Ortet e Luís Pires expressaram “forte indignação” pela falta de avanços tanto na eletrificação como na iluminação pública.

Segundo os parlamentares, desde 2015, quando foi instalada a rede de média tensão no âmbito do Projeto Seis Ilhas, os moradores de Santa Cruz vivem com a “esperança frustrada” de ter energia elétrica em casa. Muitas famílias chegaram a realizar investimentos na instalação elétrica interna e na elaboração de croquis, acreditando que o fornecimento seria concretizado em breve.

“Em 2015, quando a rede passou por esta localidade, os moradores acreditavam que teriam eletricidade a curto prazo. No entanto, até hoje, nenhuma lâmpada foi instalada”, sublinharam os deputados.

Santa Cruz, que alberga mais de 20 famílias e está próxima das comunidades de Santo António e da cidade de São Filipe, continua sem ligação à rede elétrica, apesar de “inúmeros pedidos feitos à Electra e ao Governo”.

De acordo com Ortet e Pires, a Electra “parece desconhecer a existência da zona”, apesar de se tratar de uma comunidade bem definida, com habitações próximas umas das outras, o que, para os deputados, torna “inexplicável a falta de ação”.

Alguns moradores investiram em painéis solares como alternativa, mas afirmam não ter recursos para adquirir baterias que permitam o fornecimento de energia durante a noite. Apontam ainda os “inúmeros inconvenientes” por não estarem ligados à rede pública.

Além da eletrificação, os deputados manifestaram preocupação com o estado degradado da estrada que atravessa Santa Cruz, ligando Santo António à Cadeia Civil e à zona portuária onde está instalada a central única da ilha. Embora a via seja da responsabilidade do município, defendem que a manutenção deve ser feita de forma partilhada entre a autarquia e o Governo.

“A câmara já fez muito, mas esta estrada serve duas instituições importantes, a cadeia civil e a Electra, e precisa de uma intervenção conjunta”, reforçaram.

Outras intervenções reclamadas incluem o troço Patim–Salto–Cova Figueira e a estrada de Sumbango, nos Mosteiros, considerada “particularmente perigosa” na época das chuvas, com moradores a evitarem a passagem devido ao risco à segurança.

Os parlamentares apelaram ao Governo para que dê mais atenção e justiça à ilha do Fogo.

“É preciso olhar para o Fogo com bons olhos, especialmente na área dos transportes, que afeta todos os setores: turismo, agricultura, saúde”, concluíram.

NN/Inforpress

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