
A saúde em Cabo Verde estará no centro do debate da primeira sessão plenária de julho, de 09 a 11, com a oposição a apontar falhas graves no setor e o Governo a defender avanços significativos.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) abriu as críticas. A deputada Dora Pires defendeu hoje, em conferência de imprensa, a necessidade de “reorganizar a gestão do setor da saúde” para garantir acesso universal. “A saúde é um bem precioso e essencial, que não pode ser transferido nem vendido, mas deve ser cuidado”, sublinhou. Apesar de reconhecer esforços do Governo, apontou “lacunas significativas” nos serviços, como falta de especialistas, infraestruturas inadequadas e dificuldades no acesso a medicamentos e cuidados de qualidade.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) foi mais duro. O deputado Fidel de Pina afirmou que o setor atravessa uma “crise profunda” e responsabilizou o Governo de Ulisses Correia e Silva. Apontou o incumprimento de promessas, como o Hospital Nacional de Referência da Praia, e denunciou listas de espera de até um ano para consultas de especialidade. “A saúde em Cabo Verde tornou-se cara e inacessível”, disse, defendendo que só uma mudança de governação em 2026 poderá inverter o cenário.
Em resposta, o Movimento para a Democracia (MpD), partido no poder, rejeitou as críticas e garantiu que a saúde no país está “de boa saúde”. O deputado José Eduardo Moreno destacou avanços como a certificação de Cabo Verde livre de paludismo, redução da mortalidade materno-infantil e cobertura de saúde para 90% da população. Referiu ainda investimentos em equipamentos, infraestruturas e o novo Plano de Carreira para profissionais da saúde. Sobre o novo hospital nacional, assegurou que o projeto está em andamento, apesar de envolver uma parceria público-privada.
O debate promete dominar a sessão plenária, que incluirá também a análise de relatórios e projetos de lei.
NN