No quarto dia do conflito Israel-Irão, ataques continuam e número de mortos sobe. O G7, reunido até amanhã, mantém o tema no topo da agenda internacional.

Subiu para cinco o número de mortos em Israel após os mais recentes ataques iranianos na madrugada desta segunda-feira. As autoridades israelitas confirmaram a morte de um homem de 80 anos no distrito de Tel Aviv-Bnei Brak, elevando para 18 o total de vítimas mortais em Israel desde o início dos bombardeamentos iranianos na passada sexta-feira.
Segundo os serviços de emergência, outros quatro civis — dois homens e duas mulheres, todos com idades entre 70 e 90 anos — morreram após um míssil atingir um edifício de 20 andares em Petah Tikva, nos arredores de Tel Aviv.
Pelo menos 92 pessoas foram hospitalizadas, incluindo uma mulher em estado grave com ferimentos na face e seis pessoas em estado moderado. As operações de busca e salvamento continuam em dois dos quatro locais atingidos, informou o serviço Magen David Adom.
Irão continua a lançar mísseis e Israel responde com bombardeamentos a Teerão
O exército israelita anunciou esta segunda-feira a deteção de uma nova vaga de mísseis disparados a partir do Irão. Várias explosões foram ouvidas em Jerusalém. As autoridades apelaram à população para se refugiar em zonas protegidas.
Nas últimas 24 horas, o Irão lançou várias vagas de drones e mísseis contra território israelita. Em resposta, Israel bombardeou Teerão, tendo atingido instalações militares e a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano. A morte de um alto responsável dos serviços de informação da Guarda Revolucionária foi também confirmada.
De acordo com o Ministério da Saúde do Irão, desde sexta-feira os ataques israelitas causaram 224 mortos e mais de mil feridos. A maioria das vítimas são civis.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, afirmou que “ainda há trabalho a ser feito no Irão”, acrescentando que o plano de ataque estava a ser preparado há já algum tempo. Saar indicou que Israel conseguiu operar com liberdade sobre Teerão após danificar as defesas aéreas iranianas.
O chefe do exército israelita, Eyal Zamir, referiu que as operações irão intensificar-se. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visitou o local de um dos ataques em Bat Yam, tendo declarado que “o Irão vai pagar um preço muito elevado”.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu que “Israel tem o direito de se defender” e classificou o Irão como “a principal fonte de instabilidade regional”.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Israel e o Irão “devem chegar a um acordo”, mas reconheceu que “às vezes têm que lutar”. Trump referiu ainda a possibilidade de envolvimento de Vladimir Putin como mediador.
A escalada do conflito afetou os mercados financeiros. As bolsas da Arábia Saudita, Egipto e Qatar registaram quedas. A libra egípcia desvalorizou cerca de 1,8%. As ações da empresa de defesa israelita Elbit Systems subiram.
O Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) divulgou hoje um relatório onde alerta para uma nova corrida às armas nucleares, num contexto de degradação dos regimes de controlo. Os nove países com armas nucleares, incluindo Israel e Irão, estão a intensificar os seus programas de modernização.
O SIPRI estima que existam cerca de 12.241 ogivas nucleares no mundo, das quais 2.100 estão em estado de alerta máximo. A tendência de redução dos arsenais verificada desde o fim da Guerra Fria poderá estar a inverter-se.
Uma nova ronda de negociações nucleares entre o Irão e os Estados Unidos estava prevista para domingo, mas foi adiada. Teerão afirmou que “não negociará enquanto estiver sob ataque”.
O conflito deverá estar em destaque na reunião do G7 no Canadá, que decorre até terça-feira, bem como numa videoconferência dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia agendada para o mesmo dia.
DW Português com agências