Neve Insular apresenta “Matriz Têxtil Insular” – Projeto de criação sobre o algodão e o Pano d’Obra em Cabo Verde

5/06/2025 18:53 - Modificado em 5/06/2025 18:54

O colectivo artístico Neve Insular, apresentou em São Vicente, na quarta-feira, no Centro Agroecológico do Madeiral “Matriz Têxtil Insular”, um projecto que segundo Vanessa Monteiro, inaugura um novo ciclo criativo sobre o algodão e o Pano d’Obra, práticas ancestrais cabo-verdianas, revitalizadas pelo coletivo artístico Neve Insular com coordenação da Oficina de Utopias, sob a coordenação de Ângelo Lopes.

Este novo projecto, segundo Monteiro, acaba por ser o culminar dos seis anos de experiência da Neve Insular e que irá permitir desenvolver as várias actividades que têm vindo a desenvolver ao longo destes anos, mas de uma forma melhor apoiada financeiramente.

“O que permitirá também uma recolha de um maior saber-fazer, não só em Cabo Verde, não só na Ilha de São Vicente, mas também trazer o saber-fazer da Ilha de Santiago, também parceiros e artistas próximos geograficamente, como sendo o Senegal”,explicou a designer e co-autora da Neve Insular.

O projecto “Matriz Têxtil Insular – Gestão da Soberania Comunitária e o desenho de novos futuros” é uma atividade que vai ocupar três anos, 2025, 26 e 27, e tem várias actividades, salientou.

“O seu foco é o desenvolvimento e a sustentabilidade a partir da área cultural, o empreendedorismo cultural e, por isso, todo o percurso que a Neve tem feito até aqui, junto da comunidade e Associação Agropecuária do Calhau e Madeiral, as mulheres, os agricultores, têm-nos permitido perceber que existe margem para desenvolvimento”, realçou Vanessa Monteiro.

A ambição deste projecto, é através deste financiamento, alargar ainda mais o coletivo de artistas, de parcerias, de pessoas e desenhar um projeto para que seja sustentável após estes três anos de financiamento. “Porque o importante também é isso, é, ao longo destes três anos, criar essa base para, ao final destes três anos, conseguirmos andar com as nossas próprias pernas”.

O projecto é financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua em cerca de 300 mil euros, é, segundo a representante do Instituto Camões, Odete Ferreira e Serra o “corolário de todo um percurso que foi sendo trilhado, valorizando aquilo que é a cadeia do algodão”.

Para Ferreira e Serra este novo projeto apresenta algumas dimensões, designadamente a valorização da cadeia do algodão, desde a sua produção com técnicas agroecológicas, mas também tudo aquilo que é a recuperação deste saber artesanal que tem a ver com o pano de obra, algo muito tradicional, muito identitário da matriz cultural cabo-verdiana, e para além disso.

Ao recuperar o ciclo agroecológico do algodão e a reinterpretar o saber-fazer do Pano d’Obra – um dos mais expressivos artefactos identitários do arquipélago –, o projeto tem por base a valorização dos saberes ancestrais, no fortalecimento da comunidade do vale do Madeiral e Calhau (ilha de São Vicente), e na criação de novos imaginários para a geografia Pan-Atlântica (África-América-Europa). Compreendendo o têxtil contemporâneo enquanto linguagem regenerativa e cultural, também se afirma como uma prática crítica de resistência e transformação.

Matriz Têxtil Insular é um projeto com autoria de Neve Insular, promovido e cofinanciado pela Oficina de Utopias, e financiado pelo Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP. Conta ainda com copromoção e cofinanciamento de Vanessa Monteiro Design e com a copromoção da Associação Agropecuária do Calhau e Madeiral (AAPCM) e do Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade / Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (i2ADS/FBAUP), tendo como parceiro institucional o Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design.

NN

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