Guerra comercial. UE prepara ataque às gigantes tecnológicas em resposta às tarifas de Trump

3/04/2025 17:10 - Modificado em 3/04/2025 17:13
Imagem do porto de Hamburgo, na Alemanha, em fevereiro de 2025. Foto: Fabian Bimmer – Reuters

A União Europeia está a preparar uma resposta às taxas alfandegárias anunciadas na quarta-feira pelos Estados Unidos. Em vez de responder na mesma moeda, os vários líderes europeus ameaçam visar serviços digitais norte-americanos.

É visto como o “tendão de Aquiles” dos Estados Unidos na relação com a Europa e agora, depois de terem sido anunciadas tarifas 20 por cento sobre os produtos da União Europeia, o bloco comunitário prepara-se para pressionar Washington com ameaças sobre os gigantes tecnológicos norte-americanos.

O vice-chanceler alemão Robert Habeck afirmou esta quinta-feira que “está tudo em cima da mesa” numa eventual resposta a Washington. 
O também ministro da Economia e do Clima alertou ainda que é necessário “ter cuidado para não tornar mais caros os produtos de que necessitamos e que não podemos compensar através de outros países”.

Também o antigo chanceler alemão, atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Olaf Scholz, pede à União Europeia que “mostre os seus músculos fortes”, ainda que Berlim mantenha a porta aberta às negociações.

O presidente norte-americano anunciou na quarta-feira “tarifas aduaneiras recíprocas” de 20 por cento aos produtos com origem na União Europeia. A par destas taxas, confirmou ainda a imposição de uma taxa de 25 por cento sobre todas as importações de automóveis estrangeiros que já entrou em vigor.O ministro austríaco da Economia, Wolfgang Hattmannsdorfer, defendeu que a União Europeia responda às tarifas norte-americanas de forma a visar os Estados liderados por republicanos, mas também as empresas tecnológicas, de forma a conduzir o presidente norte-americano à mesa das negociações.

“Temos de atingir os Estados republicanos e temos de atingir os amigos de Donald Trump, as empresas tecnológicas”, afirmou Wolfgang Hattmannsdorfer durante uma conferência de imprensa esta manhã.

As “cartas” à disposição da Europa

A porta-voz do Governo francês, Sophie Primas, vincou esta quinta-feira que a União Europeia está “pronta para uma guerra comercial” com os Estados Unidos e que planeia “atacar os serviços digitais” em resposta às taxas alfandegárias anunciadas por Trump.

De acordo com esta responsável, a UE está a preparar uma resposta em dois passos, uma primeira “que entrará em vigor em meados de abril”, para responder às taxas aplicadas ao alumínio e ao aço. Seguir-se-á uma segunda ronda de resposta “que provavelmente estará pronta até ao final de abril para todos os produtos e serviços”.

Neste momento, essa segunda ronda de resposta “está a ser negociada entre países membros da União Europeia”, afirmou Sophie Primas.

“Mas também vamos atacar os serviços, por exemplo os serviços digitais, que atualmente não são taxados e poderiam ser”, acrescentou a porta-voz do Governo francês.

Ursula von der Leyen afirmava na quarta-feira que a União Europeia se manteria “aberta a negociações” mas que partia para esse processo “a partir de uma posição de força” e com “muitas cartas”.

“Todos os instrumentos estão em cima da mesa”, afirmou a presidente da Comissão Europeia, prometendo contramedidas firmes.

Em linha com estas declarações, Sophie Primas frisou que a Europa tem à sua disposição “uma gama completa de ferramentas”. “Estamos prontos para esta guerra comercial”, afirmou a porta-voz do Governo francês.
Negociações começam na sexta-feira
Segundo o comissário europeu para o Comércio, Maros Sefcovic, Bruxelas iniciará as negociações sobre as tarifas alfandegárias com os Estados Unidos já a partir de sexta-feira. “Amanhã [sexta-feira] falarei com os meus homólogos americanos”, anunciou Sefcovic nas redes sociais.

“Atuaremos de uma forma calma, cuidadosamente faseada e unificada, enquanto calibramos a nossa resposta, dando tempo suficiente para as conversações. Mas não ficaremos de braços cruzados, caso não consigamos chegar a um acordo justo”, adiantou o comissário europeu

Na mesma publicação alertou que a aplicação de “tarifas injustificadas” irá inevitavelmente trazer efeitos negativos aos próprios Estados Unidos.

Para já, os vários países da União Europeia também avaliam os impactos das taxas alfandegárias nos mercados nacionais. A porta-voz do Governo francês adiantou que o presidente Emmanuel Macron se irá reunir esta quinta-feira à tarde, no Eliseu, com representantes de vários setores afetados.

“Podemos ver claramente que todos os mercados de exportação, particularmente para vinhos e bebidas espirituosas, estão em processo de fechar”, admitiu a porta-voz, Sophie Primas.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, cancelou todos os compromissos agendados para esta quinta-feira. Em comunicado, o seu gabinete indica que a responsável italiana se irá concentrar “nas medidas a tomar” após o anúncio de novas taxas pelos Estados Unidos.

Em Espanha, o Governo de Pedro Sánchez anunciou um apoio de 14,1 mil milhões de euros aos setores mais afetados para fazer face às tarifas norte-americanas.

Já o ministro português da Economia, Pedro Reis, adiantou esta quinta-feira à Antena 1 que o Governo tem estado “em contacto com os vários setores e a identificar os possíveis impactos” e que “certamente” irá reunir com empresas e associações. . 

RTP

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